jueves, 10 de noviembre de 2016

As teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos.

As teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos.
Jorge Villavisencio.

Neste ensaio faremos nosso aporte a o que se denomina as possíveis teorias da arquitetura contemporânea dos brancos e dos cinzentos. Com a chegada do século XXI, muitas pessoas arquitetos, filósofos, sociólogos, ambientalistas, etc., se têm preocupado do porque projetamos nossas cidades e seus edifícios desta forma, é claro, as teorias da arquitetura e do urbanismo tentam explicar sua produção.


Do passado ao presente.

No primeiro lugar com o termino da arquitetura moderna, e da chegada do pós-modernismo no final da década dos anos 60 e inicio dos 70, teve uma serie de ataques dos estilos que vinha aplicando no mundo todo. Mais esta nova forma de ser, se comenta seriam incapazes de explicar suas teorias, uma espécie de antimodernismo, penso para criar uma nova percepção de uma arquitetura que procure explicar uma serie de questões que poderiam ser relevantes para a arquitetura contemporânea.

C.001 – Edifício Portland (1980) Oregon – Michel Graves.
Fonte: Pinterest.

Tanto nos Estados Unidos e na Europa na época dos anos 70, as produções da arquitetura, não se tinha uma preocupação social. Mais bem uma preocupação em relação às outras condicionantes mais chegadas ao sentimento estético, da forma, e da tecnologia.


Os fundamentos.

Mais existia uma serie de arquitetos e escritórios de arquitetura que eram fies a arquitetura moderna, é claro entendemos que a arquitetura moderna teve uma ruptura com a tradição, um racionalismo mais condescendente a uma realidade com bases solidas, más com conceitos amplos, (para citar alguns: atitude racionalista, higiene, sonho de ordem, ar otimista, preocupação com espacialidade, bases matemáticas e da geometria e modulação, cuidados normativos, civilidade, entre outros), que forem se assentado através de vários séculos. Com a chegada do Iluminismo e principalmente com a Revolução Francesa nos finais do século XVIII (1789), a nossa maneira de ver abre um novo ambiente na arquitetura moderna, os novos pensamentos dos Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna – CIAM, com pensamentos e acaloradas discussões e de seus legados dos grandes mestres da arquitetura moderna como Claude Nicolas Ledoux (1736-1806), Karl Friedrich Schinkel (1791-1841), Le Corbusier (1897-1965), Mies van der Rohe (1886-1969), Adolf Loos (1870-1933), Alvar Aalto (1898-1976), Theo van Doesburg (1883-1931), Louis Sullivan (1856-1924), Louis Kahn (1901-1974), Frank Lloyd Wright (1867-1959), entre outros importantes arquitetos que deixarem suas marcas indeléveis. As Escolas de Arquitetura como da Bauhaus de Walter Gropius (1883-1969), o pensamento utópico do barão Georges-Eugène Haussmann (1809-1891) e suas intervenções em Paris, entre outros abrirem precedente.

C.002 – Casa Santa Monica (1978) Califórnia – Frank Ghery.
Fonte: Pinterest.

Consideramos que a contemporaneidade tem sim precedentes com a modernidade, não é questão de só esquecer o passado, e o presente só é valido. O precedente é importante, também não e uma questão historicista, a história nos ensina, assim foi, é assim será, até porque é preciso entender o passado para entender o presente e o futuro.


O futuro é agora.

Mais existe sim uma ruptura, “Essas eram as aspirações dos artistas modernos. Todos os movimentos que eles criaram, independentemente de suas singularidades, estão ligados às noções de novo e ruptura... era preciso que a arte se tornasse tão inovadora e radical quanto à vida”. (Canton, 2009:18-19).

C.003 – Edifice American Telefone and Telegraph - AT&T (1982) New York – Phillip Johnson.
Fonte: L´espace du débat.

Pensamos que uma das afirmações importantes da arquitetura contemporânea está ligada e este pensamento. “Também faziam afirmações sobre a lógica tectônica superior a seus projetos, a maior honestidade na expressão da estrutura e a elevada fidelidade aos imperativos dos materiais e da tecnologia contemporâneos”. (Ghirardo, 2009:26)

Não temos duvida, primeiro que a estrutura como um todo mantem a forma da edificação, e inclusive faz parte do partido arquitetônico, segundo a materialidade do edifício hoje também faz parte do partido e do processo criativo da arquitetura contemporânea, terceiro a tecnologia está presente em todo momento do ser contemporâneo, cada dia nasce uma nova forma tecnológica que alivia e colabora com o processo construtivo e criativo.


Os brancos e os cinzentos.

Explica-se que nos Estados unidos nasce à ideia conhecida como os “brancos” que são: Peter Eisenman (1932-), Richard Meier (1934-), Charles Gwathmey (1938-2009) e Michel Graves (1934-2015), que de alguma forma seguiam as benevolências da arquitetura moderna, “... uma estética pura e polida” (Ghirardo, 2009:27). Por outro lado os “cinzentos” de Robert Venturi (1925-), Charles Moore (1925-1993) {ver imagem C.006}, Robert Sten (1939-), “... rejeitavam cada vez mais a aparência branca em favor dos estilos históricos e elementos arquitetônicos.” (Ghirardo, 2009:27), todos estes ocupavam muitas paginas das revistas dos anos 70.

C.004 – Casa do Bombeiro, Fábrica Vitra (1994) Well-am-Rhein, Alemanha – Zaha Hadid.
Fonte: Cimento Itambé.

Mais também na Europa se defendiam criações historicistas do grupo dos brancos como do arquiteto britânico Quilan Terry (1937-), do arquiteto luxemburguês Leon Krier (1943-) {ver imagem C.005}, do arquiteto e professor italiano Paolo Portoghesi (1931-), todos estes amplamente divulgados nas mídias, tanto nos sites da internet ou por médios escritos.
Mais com o passar do tempo alguns forem mudando como do caso de Michel Graves com seu famoso Edifício Portland (1980) em Oregon {ver imagem C.001}, talvez a ideia dos brancos fosse mudando com o tempo, e com possibilidade de entrar nos grupos dos cinzentos.

Pensamos que arquitetura contemporânea nada está dito, ainda estamos na procura de novas teorias, novas fontes, mais criatividade, e pouco consensual, mais sim que tenham percepção com as necessidades atuais.

Mais um dos problemas que é a velocidade e a voracidade do mercado, das pessoas faz que mudem constantemente, não vamos um achar um consenso “único”, vai ter mudanças constantes o tempo-espaço faz sentido na contemporaneidade, cria sim muito desconcerto (as teorias do Caos explicam isso) com poucas possibilidades de sucesso, mais isto já é normal, as pessoas cada vez se isolam nos seus ambientes de trabalho, nas suas moradias, nas formas de viver, é atual, é contemporâneo, mais penso que existiram novas formas de pensar, é de viver, a mudança constante nos levará a um mundo melhor, claro em numa forma positiva e mais hedonista, algo assim: “seja o que for que não deixe seu barco encalhar”. (Flocker, 2007:93).

Temos que cuidar o conceito da vanguarda, não como algo novo, mais bem como fundamento teórico que tenha prospecção vinculada com as necessidades das pessoas. Porque assim já aconteci-o com o pensamento neovanguardista.
“A maioria das propostas neovanguardistas não apresenta nenhuma relevância historicista. Se recorrem a marcos, estes sempre serão os momentos fundacionais das vanguardas do século XX. Reconhece-se apenas um universo – a estrita modernidade – e todos seus referentes são eletrônicos e artificiais”. (Montaner, 2012:117)

C.005 – La Citta Balneare, Seaside, Florida – Leon Krier.
Fonte: desconhecida.

Temos que dizer que tanto Robert Venturi e Michel Graves {ver imagem C.001} obterem o premio Rome Prize, onde se dedicarem muitos anos na pesquisa da arquitetura italiana, mais Graves ao abandonar os “brancos” ele incorpora uma situação maneirista, com efeitos clássicos da arquitetura italiana.

Também Frank Gehry (1929-) na casa de Santa Monica (EEUU) em 1978 {ver imagem C.002} com algo diferente com a escolha dos materiais, até ortodoxo, muitos teóricos a calcificam como uma arquitetura má, mais teve criticas, que consideramos que são importantes para a arquitetura contemporânea. Imaginemos que si não existe-se a crítica da arquitetura, que é fundamental, cria reflexos na nossa maneira de fazer e de pensar na arquitetura.

“Se essa distanciação, existe o perigo de, aquilo que hoje nos parece ser tendenciosa mais importante para a arquitetura, se vir a revelar apenas como um caminho falso, uma moda passageira do espirito da época”. (Tietz, 2008:100)

C.006 – Piazza D´Italia (1978), New Orleans– Charles Moore.
Fonte: Idesingnproject.

O arquiteto norte-americano Phillip Johnson (1906-2005), também apresenta uma interpretação dos “brancos” como é o edifício do American Telefone and Telegraph (AT&T – 1982) de New York {ver imagem C.003}, na qual faz uma reinterpretação do passado levado a criar as três partes aplicadas no passado: o embasamento, o corpo, e a coroação.

“Na arquitetura, isso levou a um enfoque igualmente insistente do significado: é importante que a questão não fosse analisar como se produzia o importante, mais sim investir o arquiteto da responsabilidade de criar edifícios que irradiassem significado.” (Ghirardo, 2009:32)

C.007 – Linked Hybrid (2003-2008) Pequim, China – Steven Holl.
Fonte: Sunrisemusics.


Reflexões e considerações finais.

Consideramos importante que a arquitetura tenha significado, mais que possa ser explicado nas teorias da arquitetura, mais esse significado possa estar vinculado nas realidades atuais das pessoas, das suas próprias necessidades, é-claro pensar de modo pluralista.
Pensamos que através da nossa história do urbanismo, espaços públicos, como praças, áreas livres, espaços de uso cultural tem levado a uma boa convivência das pessoas que frequentam e que se servem destes espaços, que são tão importantes para a vida saudável das cidades.

Gostaria antes de terminar nosso ensaio, em explicar nosso pensamento sobre a arquitetura e o urbanismo contemporâneo, mais ao nível de reflexão que uma explicação sobre estes dois últimos pontos, sobre a questão sobre a arquitetura hibrida, e a questão sobre os edifícios que tenham sustentabilidade.

A primeira tem relação com os edifícios híbridos, exemplo claro da obra de Steven Holl no projeto Linked Hybrid (2003-2008) em Pequim na China {ver imagem C.007}, uma ideia que vem tomando incremento e se configura como “ideal”, é que vem se aplicando nestes últimos tempos do século XXI, se analisamos em forma profunda e perspicaz.
Como exemplo concreto do que vem acontecendo com os recentes trabalhos da Prefeita de Paris refeita de Paris Anne Hidalgo, quando convoca em 2015 para o concurso de 23 espaços púbicos que são de propriedade da prefeitura parisiense, que tem como conceito “densidade, diversidade, energia e resiliência”, onde o fazer de novo ou de uma maneira diferente. Então, as propostas apresentadas tem uma comutação com as comunidades que fazem parte da vida destes edifícios. Não existe um edifício que seja isolado, para um uso especifico. Existem sim vários usos nestes edifícios, uma hibridez que está presente em todo momento. Penso que isto sim é contemporâneo.

A segunda está relacionada com a questão da “sustentabilidade”, não temos duvida que com a chegada do processo da sustentabilidade, no sentido amplo da palavra “susteniere”, os assuntos mudarem, talvez como uma maneira de proteger o ambiente, do menos consumo de energia, e das formas de viver, mais harmônica com as necessidades atuais.

Como exemplo pode citar: “... otimizando da capacidade funcional da habitação, transferindo, para um segundo momento, a avalição dos custos; especificação dos materiais de construção alinhados com os princípios da sustentabilidade, priorizando aqueles materiais com o menor impacto ambiental...” (Romero, 2009:479).

Não temos duvida que os pensamentos contemporâneos estejam ligados aos princípios da palavra “sustiniere”, pensar e atuar de forma diferente não e concedente com a realidade contemporânea, valorizar e incrementar as necessidades das pessoas que protejam e valorizem “a vida como um todo”.
Por ultimo, pensar em forma interdisciplinar, já é uma constante na vida das pessoas, temos convicção que os possíveis caminhos estejam relacionados com: a hibridez, a interatividade, a humanização, a inclusão, o empreendedorismo, é sem duvida a sustentabilidade, desta forma fazem parte da vida contemporâneas do século XXI.

Goiânia, 8 de novembro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia

CANTON, Katia; Do Moderno ao Contemporâneo, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2009.

MONTANER, Josep Maria; A modernidade superada: ensaios sobre arquitetura contemporânea, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2012.

TIETZ, Jürgen; Historia da arquitetura contemporânea, Editora HF. Ullmann, Tandem Verlag – GmbH, 2008.

GHIRARDO, Diane; Arquitetura contemporânea: uma história concisa, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2009.

ROMERO, Marta Adriana Bustos; Reabilitação Ambiental: Sustentável Arquitetônica e Urbanística, Editado FAU/UNB, Brasília, 2009.

FLOKER, Michael; Manual do hedonista: dominando a esquecida arte do prazer, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2007.


martes, 1 de noviembre de 2016

Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016.

Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016.
Jorge Villavisencio.

Com a recente publicação dos resultados da 15° Bienal de Arquitetura em Venécia 2016, vimos que forem outorgados prêmios a vários arquitetos e escritórios de arquitetura com propostas que podem fazer a diferença na pratica contemporânea de fazer arquitetura e urbanismo.

S.001 – Cidade Capital de Iquitos, Departamento de Loreto – vista do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Não temos duvida que a bacia do Rio Amazonas tenha despertado interesse ao mundo todo, tantas vezes colocado na Agenda 21, como efeito que no dia 22 de dezembro de 1989 que convoca a Assembleia das Nações Unida – ONU, para reverter os efeitos que vem sendo instalados nessa região. De esta forma criar novas estratégias que “revertessem os efeitos da degradação ambiental”, com os esforços nacionais e internacionais para promover o desenvolvimento sustentável e ambientalmente saudável em todos estes países.

S.002 – Cidade de Iquitos – vista do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Em primeiro lugar através de tantas décadas a bacia do Amazonas vem sendo degradadas, é o mal já está feito, penso que o único que nos resta é contemporizar esse espaço maltratado. Teria que passar muitas outras décadas até séculos para que se instale o que a natureza cria. Em segundo lugar a bacia amazônica está composta por Brasil, Colômbia, Venezuela e Perú, estes vínculos tem que estar mais arraigados para que se produzam novas estratégias e consensos destes países em querer fazer melhor ou de uma maneira diferente. O conceito de “sustentabilidade” se dá em todos os âmbitos sejam estes ambientais, é principalmente na esfera socioeconômica.

S.003 – Espaço ambiental típico do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Também no mês de junho de 2012 se realizo a Conferencia sobre das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento na cidade de Rio de Janeiro. O RIO+20 que na realidade é uma readequação da partitura do que foi visto na Agenda 21 que foi realizada na mesma cidade no dia 14 de junho de 1992. Sem duvida tendo transcorrido 20 anos, o momento e as realidades em termo globais são diferentes, mais considero que os temas apresentados – em termos de síntese foi uma revisão das metas propostas na Agenda 21 de 1992.

Como indicamos acima, não podemos só estar revisando partituras, protocolos e readequações do que vem acontecendo no amazonas.

Segundo a Constituição Federal do Brasil de 1988 indica claramente no seu Art. 225 – “Todos tem direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do solo e essencialmente sadia a qualidade de vida...” (Constituição Federal do Brasil – 1988).

S.004 – Bairro de Belém, Iquitos – temporada de baixa do Rio Amazonas. Reparem as palafitas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Para isto na região do Amazonas na parte do ocidental, especificamente no Perú, a que é denominada a “Região da Selva”, é com a graça do Premio da Bienal de Venécia 2016, que na realidade foi o Segundo Lugar (Leão de Prata) para o escritório peruano de arquitetura Crousse & Barclay, com a proposta de fazer escolas nessa região. Tema principal deste ensaio que temos titulado de: “Propostas e ideias na arquitetura contemporânea na bacia amazónica no Perú – 15° Bienal de Venécia 2016”.

S.005 – Caras de etnia “Bora” feito de forma artesanal por Fernando Yahuarcani (origem Bora).
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Consideramos importante esta citação: “... é preciso definir certos conceitos afins que são utilizados para caracterizar a arquitetura bem relacionada com o meio ambiente. Poderíamos dizer que a arquitetura bioclimática é aquela que tradicionalmente construía com materiais do local e se integrava com seu entorno imediato, inspirando-se na arquitetura vernacular”. (Montaner {1}, 2016:113).

Antes de dar inicio a nossas considerações sobre a descrição e pensamentos (reflexões) do que consideramos que é um grande tema, temos que fazer algumas considerações iniciais. Primeiro temos que tomar consciência que o problema não só radica em “proteção do meio ambiente”, temos que ter outras propostas “criativas” para que tenha sustentabilidade em todos os âmbitos.

S.006 – A técnica construtiva com materiais do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Em segundo lugar, consideramos que no contexto geral dessa região do Amazonas, pouco se tem feito para o desenvolvimento sustentável donde habitam esses seres humanos, que praticamente estão esquecidos, é que só se dedicam a proteção ineficiente do meio ambiente e das culturas e condutas desse povo esquecido mais vitorioso nas formas de viver. Terceiro o mundo todo está atento ao que acontece na bacia do amazonas, seja esta porque é um pulmão da humanidade, é pela quantidade de “agua” que tem em esta parte do continente, que como sabemos cada vez se tornará mais escassa a agua pela crescente população que tem o mundo.

S.007 – Inauguração da primeira escola.
Fonte: MINEDU. (2016)

Em quarto lugar, temos certeza que os programas educacionais na construção de escolas em todos os níveis têm levado melhoras a população em especial ao povo com dificuldades socioeconômicas para o desenvolvimento correto e sustentável em diferentes lugares, educação e cultura, pensamos que é sinônimo de desenvolvimento, a história nos ensina que países que são desenvolvidos aplicarem massivamente em “educação e cultura”, é algo irrefutável que faz parte da consciência dos povos, mais nesta parte da bacia do amazonas, parecesse que é um mundo esquecido. Além-claro do pouco interesse de politicas publicas que permitam dar continuidade a este tipo de projetos.

S.008 – Forma de construção típica com materiais do lugar.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)


O lugar.

Sabe-se que atinge o espaço regional e territorial no Perú, vários Departamento estão involucrados que são: Loreto, Ucayali, Junín, Madre de Dios e San Martín, é uma região muito extensa, é tem muito a fazer.

S.009 – Vista externa da escola proposta – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

“O território amazônico do Perú se define na Lei 27037 – Lei de promoção da inversão na Amazônia peruana, se indica 61,09% da superfície do território nacional (Perú), com um total de 785.201,74 km2, que pode ser comparada com superfície total do Chile com 756.096,00 km2. Segundo o Censo Nacional de Infraestrutura Educativa 2013 mais do 50% das escolas devem renovar-se ou precisam de um esforço estrutural: Além que não existe informação correta do estado das mais de 4,000 escolas... O PLAN SELVA é um sistema flexível e alternativo para atender as zonas rurais que não contam com saneamento físico legal,... se pode acelerar os processo e vencer a burocracia. E assim que contém um catálogos de módulos que podem ser feitos de acordo com os requerimentos pedagógicos é ser transladados de forma rápida. No ano 2015 o Plan Selva se inicio a implementação de um sistema em 10 instituições educativas, que no ano de 2016 possa criar a interversão de 69 escolas”. (15° Bienal de Arquitetura em Venécia – 2016).

S.010 – Vista interna da escola proposta – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)


O projeto.

Através do Ministério de Educação - MINEDU do Perú, se realiza como estratégia na criação do plano de desenvolvimento chamado de “PLAN SELVA” corresponde ao Programa Nacional de Infraestrutura Educativa (PRONIED), que basicamente se trata de contribuir para a realização de construção e reabilitação de varias escolas na região.
A proposta pelo escritório de arquitetura Crousse & Barclay cujos proprietários são Jean Pierre Crousse e Sandra Barclay tem denominado de “Nuestro Frente Amazónico”, penso que é uma referencia ao lugar. O concurso da 15° Bienal de Venécia 2016, tiverem mais de 60 escritórios de arquitetura.

O projeto apresentado ao Ministério de Educação do Perú pelo escritório de arquitetura Crousse & Barclay onde indicam: “Os módulos se compõem por estruturas de aço e madeira, o que facilita seu translado nas zonas geográficas de difícil acesso. Podem ser armados segundo suas necessidades, pode-se substituir uma escola completa ou melhorar uma parte dela (salas de aula, banheiros, salas de usos múltiplos, cozinha e outros). Os pisos são em módulos elevados para proteger das precipitações das possíveis inundações. Os ambientes têm tetos altos e inclinados para dar sombra e se proteger das intensas chuvas, assim contam com uma ventilação e iluminação em forma adequada”. (MINEDU - 31/05/2016).

S.011 – Escola – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

“As obras incluem a implementação de salas de aulas, área para os docentes, midiateca, sala de usos múltiplos, pátio coberto, banhos, cozinhas melhoradas, assim como mobiliário. Também serão instalados para-raios biodigestores e sistemas de captação de agua pluvial”. (MINEDU - 31/05/2016).

S.012 – Escola – arquitetos Crousse & Barclay.
Fonte: Bienales de Arquitectura. (2016)

Penso da forma que foi dotado o programa arquitetônico, tem muita flexibilidade, é poderíamos pensar que este tipo de obra pode-se implementar em diversas partes da bacia amazônica. É mais estamos pensando que este tipologia de projeto pode tranquilamente ser feita em qualquer parte, claro que cumpram com as caraterísticas deste tipo de espaço amazônico.

“Técnicas e materiais mais avançados, se bem empregados, podem contribuir para tornar a arquitetura mais sustentável”. (Montaner {2}, 2012:163).

Sem duvidas as técnicas construtivas têm colaborado para que a arquitetura se torne mais ágil e dinâmica nas formas de concepção de sua materialidade. Além-claro que este tipo de sistema construtivo de tipologia modular se adapta bem as dificuldades do lugar. Não é fácil chegar a estes lugares pela falta de comunicação do transporte terrestre, também as vias fluviais são de temporada, a mão de obra especializada é escassa ou não tem, assim como a disponibilidade dos materiais que são empregados, a madeira usada tem que ser certificada para que não haja desmatamento. Mais penso que levar educação e cultura a esses espaços quase esquecidos, sem duvida vale a pena a tentativa.


Considerações Finais.

“Agenda 21 – Indicadores: Como exemplos de indicadores de Sustentabilidade poderiam aprontar, em primeiro lugar, por sua expressão, os Indicadores da Agenda 21: um documento consensual, para a qual contribuíam governos e instituições da sociedade civil de 179 países, e que se traduz em ações e conceito de desenvolvimento sustentável”. (Romero; Satteler; 2009:295)

Como bem indica Satteler o documento é consensual, algo já discutido, que tem uma firme decisão dos países que o conformam. Mais o efeito da sustentabilidade se dá em todas as esferas socioeconômicas, é claro, como este tipo de projeto como dos arquitetos Crousse & Barclay levam toda este conceito para estes lugares que fazem parte da bacia amazônica.

S.013 – Bairro de Belém, Iquitos/Perú – temporada de baixa do Rio Amazonas.
Fonte: Jorge Villavisencio (2014)

Para terminar, pensamos que temos demorado muito, em tomar “ações” e não decisões, porque já forem tomadas tanto na ONU, Agenda 21, Rio+20, em fim. O que precisamos é de agir em forma mais rápida, para que estes lugares, espaços esquecidos tenham o mínimo necessário para uma qualidade de vida que seja mais “digna” com as necessidades do povo amazônico. Projetos que levam em forma esmerada cultura, educação e sustentabilidade a arquitetura pode colaborar, é muito, em estar mais presente de forma correta com espacialidade com contemporaneidade, das necessidades que sociedade como um todo solicita.

Goiânia, 1 de novembro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016. {1}

MONTANER, Josep Maria; A modernidade superada: ensaios sobre arquitetura contemporânea, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2012. {2}

ROMERO, Marta Adriana Bustos; Reabilitação Ambiental: Sustentável Arquitetônica e Urbanística, Editado FAU/UNB, Brasília, 2009. – {Miguel Aloysio Satteler, Ph.D - Capitulo 8 pp. 458-517}

Assembleia Geral das Nações Unidas – ONU (1989).

Conferencia das Nações sobre Médio Ambiente e Desenvolvimento, Agenda 21 (1992).

RIO+20 (2012).

Constituição Federal do Brasil – 1988.

15° Bienal de Arquitetura em Venécia (2016):
http://bienalesdearquitectura.es/index.php/es/propuestas-por-paises/6309-peru-plan-selva

El País (17/10/2016):
http://brasil.elpais.com/brasil/2016/10/17/cultura/1476663835_416321.html?id_externo_rsoc=Fb_BR_CM

Ministerio de Educación – MINEDU/Perú: (2015-2016):
http://www.minedu.gob.pe/n/noticia.php?id=38342
http://www.minedu.gob.pe/n/noticia.php?id=38974



jueves, 20 de octubre de 2016

Arquitetura e politicas urbanas contemporâneas na Colômbia.

Arquitetura e politicas urbanas contemporâneas na Colômbia.
Jorge Villavisencio.

Introdução.

Recentemente temos visto que foi laureado com o Premio da Paz 2016 o Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, mais se deve ao tentar “pacificar” a Colômbia. Mais só foi possível a um trabalho muito amplo que começo há mais de duas décadas. Não temos duvidas que as politicas empregadas na sucessão de seus políticos gerarem avance, uma subsequência de ideias, que se tornarem “ideais” para um pais que foi massacrado pelo terrorismo, o narcotráfico, o desgoverno, vindo de interesses particulares em forma singular, e não pluralista como deveria ser feito. Porque devemos entender que as politicas publicas “são de todos” – o que o povo quer – e não de interesses pessoais como sucede nesta parte de continente da américa do sul.

R.001 – Projetos Urbanos Integrados, Medellín (2004)
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

A arquitetura e o urbanismo tem ajudado, é muito, a este processo de pacificação, com seus trabalhos nas decisões na maneira projetual, em cidades como Santa Marta, Bogotá, Cali, Medellín, Cartagena, e outros. Mais isto só foi possível, porque pensamos no conceito do “Zeitgeist” (“o espírito da época”.), é-claro ao atendimento e clamor do povo, assim como de projetos pontuais de arquitetos que se tornarem conhecidos internacionalmente como são: Alejandro Echeverri, Felipe Mesa, Giancarlo Mazzanti, Daniel Bermúdez, Daniel Motta, Juan Manuel Peláez, Daniel Bonilla, Simón Vélez, Alejandro Bernal, Camilo Restrepo, e claro do excepcional arquiteto Rogelio Salmona, entre outros.

Alguns projetos urbanos como em Medellín, com seu PIU – Projetos Urbanos Integrados (ver imagem R.001), onde existe uma baixa nos índice socioeconômico, ou como de uma linha mais ecológica na cidade de Santa Marta com muita qualidade no seu desenho que é a Ronda do Rio Sinú (2006), na cidade Montería feito pelos arquitetos Alfredo Villamaría, Carlos Montoya, Julio Parra e Jorge Cortes.

R.002 – Projeto do Coliseu de Medellín (2010) – Felipe Mesa e Giancarlo Mazzanti.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

O lugar – aspectos urbanos.

Colômbia esta localizado na parte norte da américa do sul, com uma população de 47 milhões de habitantes (censo 2016), segundo a Constituição de 1991 conta 32 departamentos e 1 distrito capital que é a cidade de Bogotá. Colômbia é o pais mais terceiro pais mais populoso da américa latina depois de Brasil e México.
A cidade de Bogotá tem uma população de mais de 9 milhões de habitantes (área metropolitana). Colômbia esta banhada pelo Oceano Pacifico e do Mar do Caribe, e se divide entre a parte litorânea, a parte amazônica e da cordilheira dos andes. Tem uma ampla diversidade cultural, o pais dividido entre a costa Atlântica, a zona de Antioqueña, e na zona de Medellín e a savana de Bogotá.

R.003 – Projeto da Biblioteca Virgílio Barco, Bogotá (2002) – Rogelio Salmona.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Para os que conhecemos a Colômbia é um pais com uma diversidade cultural evocado pelas suas regiões (zonas geográficas), assim como de uma alegria das pessoas (apesar de suas dificuldades socioeconômicas) se sente muito sensível a diversidade das cores de suas vestimentas típicas de suas regiões, mais principalmente pela musica que tipifica a todo o pais que é a “salsa”, esta musica se fez conhecida no mundo todo pela riqueza de seus instrumentos típicos, e pela forma sensual de sua dança.

Como apreciaremos muitos dos conceitos dos trabalhos tanto no lado urbano, como explicamos na introdução aspectos como do PIU ou do Rio Sinú, assim como dos projetos arquitetônicos como dos arquitetos Giancarlo Mazzanti e Felipe Mesa (Plan b) do Coliseu de Medellín (2010) (ver imagem R.002) em Antioquía, ou da Biblioteca Espanha de Mazzanti (ver imagem R.005) onde conceitualmente se toma como partido da própria geografia do lugar, atrelado a uma topografia e das matérias existentes onde forem feitos o seus edifícios.

R.004 – Projeto da Escola Las Mercedes, Medellín (2008) – Juan Manuel Peláez.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

“A acupuntura urbana também foi adotada como metáfora pelo politico e arquiteto brasileiro Jaime Lerner a fim de identificar sua introdução de um eficiente sistema de transporte público na cidade de Curitiba durante seus três mandatos como prefeito de 1971/75, 1979/83 e 1989/92.” (Frampton, 2008:427).

Na citação do arquiteto e historiador da arquitetura moderna Kenneth Frampton, tem uma relação com o que está acontecendo na Colômbia, primeiro por que Frampton tem trabalhado acima da ideia do “regionalismo”, dos lugares, segundo porque em varias partes da Colômbia estão identificados como sistemas de conexos em viabilidade de transporte de massas. Mais também equipamentos urbanos como edifícios de escolas, bibliotecas, centros de cultura, centros de lazer, entre outros, tem contribuído para o desenvolvimento das regiões, pensamos que estes equipamentos (edifícios) públicos enriquecem o cenário urbano.

R.005 – Projeto da Biblioteca España, Medellín – Giancarlo Mazzanti.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

“Desta forma passarem a caracterizar como espaços para conhecer, discutir e criar. Deixó de existir barreiras conceituais entre bibliotecas públicas, e centros de cultura.” (Milanesi, 2003:109).
É correto pensar da maneira como coloca Luís Milanesi, até porque esta tipologia de edificações agrada, ‘e muito, a população de maneira geral.

Dificilmente uma cidade não gosta destes equipamentos urbanos. Alguns teóricos da arquitetura o classificam não só como geradores de cultura e de lazer, mais também como lugares importantes de “convivência”. Desta forma está aderida o conceito de Milanesi, de que esses espaços criam sim uma discussão, penso que como uma linguagem crítica do lugar, das pessoas, da convivência, e possivelmente de algumas soluções geradas pela própria convivência que o espaço público propicia.

“Essa melhora geral dos equipamentos urbanos, acompanhada pela introdução de um sistema de ônibus de alta velocidade, foi recentemente reproduzida em Bogotá, Colômbia, durante sucessivas administrações de Enrique Peñalosa e Anatas Mockus.” (Frampton, 2008:427).

Então, podemos entender que não foi só os edifícios como bibliotecas, escolas, museus e outras edificações (claro que fazem parte do conjunto da obra), mais a decisão de integrar estes edifícios com a cidade, como indica Frampton com um transporte publico de massa.

Os edifícios contemporâneos.

Na arquitetura de suas edificações na Colômbia basicamente nesta nova fase contemporânea se dá em base a uma arquitetura de ordem publica, uma pluralidade que foi conquistando o espaço urbanos em lugares estratégicos ou mais necessitados, desta forma o pais como um todo teve percepções que estes edifícios poderiam sim cambiar a forma de pensar, de como a arquitetura poderia melhorar a todos.

R.006 – Projeto do Orquidário, Medellín – Planb e Jprcr.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Projetos simples como da Escola Espanha em Medellín de Giancarlo Mazzanti (ver imagem R.005), onde suas formas poliédricas remetem ao paisagem do lugar, estas formas com a boa aceitação da materialidade, faz que este edifício torne-se importante para a cidade.

Também, a obra da Escola das Mercedes em Medellín (Antioquia) de Juan Carlos Peláez (ver imagem R.004), onde na cobertura de sua edificação avistam a paisagem da cidade.
Sem duvida a obra mais publicada foi do Orquidário de Medellín (ver imagem R.006) do Planb de Felipe Mesa e Alejandro Bernal e dos arquitetos da Jprcr de Camilo e Paul Retrepo, onde sua forma modular é muito flexível colaboram em uma unidade que está integrada como o médio ambiente.

R.007 – Projeto da Biblioteca Publica, Villanueva, Casanare – Torres, Piñol, Ramírez & Meza.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

A Biblioteca Pública em Villanueva (ver imagem R.007), em Casanare dos arquitetos Torres, Piñol, Ramires e Carlos Meza, onde na proposta tectônica faz que exista uma boa ventilação natural em seu edifício. A materialidade da obra permite enxergar certa simplicidade, que na nossa opinião é conducente com realidade do lugar.

A Casa Jardim em Cali (ver imagem R.007) de Camilo Garcia e Diego Barajas, que remitem a algo lúdico, não só pela forma do edifício mais sim pela boa escola dos materiais, algo que alude a uma porção de borboletas, que é muito típico e natural no tropico.

R.008 – Projeto da Casa Jardim, Cali – Camilo Garcia e Diego Barajas.
Fonte: Luis Fernández-Galiano (2010)

Para terminar consideramos de muito bom tom o belo texto de Silvia Arango, onde indica que todo foi possível pela integração de vários grupos de arquitetos de diferentes gerações, as quais a denomina de “quatro gerações” de estes últimos anos, a de Rogerio Salmona e Enrique Triani. Uma geração mais madura encabeçada por Daniel Bermúdes e Sergio Trujillo, a outra geração dos arquitetos Felipe Uribe de Bedout, Giancarlo Mazzanti e Daniel Bonilla, e por ultimo a geração de Felipe Mesa, Juan Manuel Peláez e Simón Hosie, onde se agrupam com nomes criados nos seus escritórios como Planb, Opus, Ctgr e MGP.

Consideramos importante o indicado por Silvia Arango, porque apesar das diferentes grupos de gerações diferentes puderem dar continuidade as novas propostas espaciais de uma arquitetura contemporânea, além- claro da bondade popular do povo colombiano assim como das administrações publicas que permitirem ter esse cambio.


Goiânia, 20 de outubro de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia

MONTANER, Josep; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.

TIETZ, Jürgen; Historia da arquitetura contemporânea, Editora HF. Ullmann, Tandem Verlag – GmbH, 2008.

FRAMPTON, Kenneth; Arquitetura Moderna {1997}, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2008.

MILANESI, Luís; A Casa da Invenção, Editora Ateliê, Cotia, São Paulo, 2003.

FERNÁNDEZ-GALIANO, Luis (coordinador); Atlas del siglo XXI – América, Ed. Fundación BBVA, Bilbao, 2010. (Silvia Arango pg. 161-191)

ZEVI, Bruno; Saber ver a arquitetura, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2009.

EDWARS, Brian; Guía Básica de Sostenibilidad, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2008.


jueves, 6 de octubre de 2016

A constelação dos espaços culturais contemporâneos.

A constelação dos espaços culturais contemporâneos.
Jorge Villavisencio.

Quando pretendemos explicar sobre os espaços culturais – sejam estes espaços urbanos culturais ou edifícios com fins culturais, temos diferentes pontos de vista do significado profundo do que representam esses espaços para a vida das pessoas.

Nosso ensaio tem como proposito abordar alguns pontos que possam de alguma maneira em poder entender o significado espacial contemporâneo da arquitetura e urbanismo.

F.001 – Museu de Artes Decorativas, Frankfurt (1986) – Richard Meier.
Fonte: Pinterest

Como primeira abordagem temos o pensamento de Diane Ghirardo onde explica que: “Um dos efeitos mais significativos do desenvolvimento geral dos shoppings centers tem sido a confluência entre o centro comercial e o parque temático de uma vasta gama de outros tipos de prédios, mais notadamente o museu, mais também a biblioteca, o teatro ou a sala de concertos. (Ghirardo, 2009:79).

Sobre isto cabe a seguinte reflexão, estes edifícios públicos tem sim participado ativamente de alguns eventos culturais, como concertos de musica, exposições de diversos tipos entre outros.
Mais a posição do espaço comercial do tipo shoppings centers e outros, visam o lucro, e são espaços “adaptados” para os eventos culturais pretendidos, um pouco como medida mercadológica (estratégia) de atrair público para estes espaços comerciais.

F.002 – National Gallery – Ala Sainsbury, Londres (1991) – Venturi, Scott Brown.
Fonte: Pinterest

Notadamente os edifícios comerciais, estão passando por uma reformulação de seu uso em forma contemporânea, como atitude espacial para uso das pessoas. Claro-além da crise econômica que atualmente se vive no Brasil, faz que estes edifícios cumpram com outras funções na qual foi projetada.

“No plano do lazer e da cultura, adquirem significado novo e importância crescente as bibliotecas, os museus, o teatro em todos seus gêneros, as salas de concerto, os auditórios, os cinemas, os clubes recreativos e esportivos...” (Graeff, 1986:58).

Sobre o dito do emérito professor e arquiteto gaúcho Edgar Graeff (1921-1990), tem conotações importantes, primeiro a visão contemporânea de suas citações; segunda a crescente importância da vida cultural das pessoas, talvez pelas diferentes mídias (internet e outros – informação) que são divulgadas pelas redes sociais que sem duvida é válido dizer que são agentes multiplicador de informação (mais não de conhecimento que é uma coisa totalmente diferente). Terceira que cultura e lazer sempre estiverem próximas - uma ligação.

F.003 – Museu e Centro Cultural Davis, Wellesley, Massachusetts (1993) – Rafael Moneo.
Fonte: Pinterest

Mais posteriormente Graeff no seu livro “O edifício” esclarece que na classificação que faz o professor Nelson de Souza em que os Edifícios Culturais, estes englobados na tipologia dos “edifícios para o desenvolvimento com atividades culturais”. Agora na tipologia de Edifícios de Produção na área de vendas como são “lojas, mercados, feiras, supermercados... etc.”.

Mais também indica que nessa mesma tipologia está a de “exposições” como são: “exposições industriais, exposições agropecuárias, feira de amostras, pavilhões de exposições, stands de exposição, vitrines, etc.” (Graeff, 1986:67-68).

F.004 – Centro de Arte Galega Contemporânea, Santiago de Compostela, Espanha (1993) – Álvaro Siza.
Fonte: Sietepecadosinmortales

A nossa segunda abordagem é a que trata da “multiplicidade” de espaços de uso cultural, esta abordagem pode o não estar relacionada com o conceito de edifícios híbridos. Vejamos estas duas definições:

“A utilização do termo híbrido associado a processos arquitetônicos tem vindo a suscitar cada vez mais interesse e curiosidade na realidade contemporânea. Podendo referir-se a campos estruturais, formais, tipológicos, funcionais, entre outros.”
(Das Neves, Sofia. Edifícios Híbridos, Defesa de Mestrado em Arquitetura, Universidade Técnica de Lisboa, 2012).

“Os edifícios chamados híbridos são aqueles que conjugam diferentes usos no mesmo projeto, totalmente independentes entre si, cada um com sua própria gestão, diferentes desenvolvedores e diferentes usuários. Aqui, o objetivo principal foi criar intensidade e vitalidade para a cidade, atrair as pessoas, e favorecer a mistura.”
(Spessatto, Paulo, Verticalização – Edifício Hibrido, Universidade Regional de Blumenau, 2014).

F.005 – Museu de Arte Contemporânea, Monterrey, México (1992) – Ricardo Legorreta.
Fonte: Paronamio

A primeira citação de Sofia das Neves, nos leva a criar certo despertar ou interesse como ela indica. A curiosidade é parte do ser humano, o saber de que trata já faz parte do nosso convívio, dificilmente como “forma e imagem” (Rudolf Arnheim) de um determinado edifício de tipologia cultural não se queira saber de que trata, até porque os edifícios culturais criam não só um despertar na sociedade, mais também um ponto referencial no espaço urbano, além-claro como é indicado que conjugam os diferentes usos num mesmo espaço.

F.006 – Centro de Artes da Universidade do Estado de Arizona (1989) – Antonie Predock e Nelson Fine.
Fonte: Pinterest

A segunda citação de Paulo Spessatto nos parece mais atraente, além que é comum nas duas citações nos “diferentes usos num mesmo espaço”. Primeiro que dentro de cada espaço tem sua própria gestão, é como num mesmo local possam ter diversas empresas, mais cada uma com sua própria gestão, é claro com sua própria responsabilidade administrativa e operacional. Agora achamos de muito interesse ao dizer “intensidade e vitalidade para a cidade”, até porque espaços urbanos, inclusive espaços centrais importantes para a cidade podem ou não estar sendo pouco usados ou frequentados. Pensamos que isto não valoriza a cidade, criar espaços urbanos desertos ou com pouco uso, traz enormes consequências econômicas para a cidade, que ao final todos pagamos, porque todos somos contribuintes porque habitamos nas cidades.

F.007 – Yale Center for British, New Haven, Connecticut (1969-1977) – Louis Kahn.
Fonte: Teoriaeestética – UFRGS.

Penso que num tempo muito curto estes espaços híbridos estão tomado mais incremento no convívio, o aspecto de multifuncionalidade já faz parte do ser contemporâneo.

“A estrutura das nossas cidades – Nossas cidades oferecem inúmeras possibilidades para quem deseja reinventar as edificações ou os elementos que fazem parte da linha do horizonte ou patrimônio arquitetônico, mais que se tornarem obsoletas devido aos diferentes usos de espaços e lugares”. (Farrelly, 2014:80)
Pensamos que na citação que faz Lorraine Farrelly, tem alguns aspectos que valem a pena reflexionar, a primeira esta relacionada com o pensar das cidades, as diferentes possibilidades que nos oferecem os novos usos que podem ter, que é o que a população o povo quer?

Sem duvida os espaços de convivência tem abordado interesse desde a época do século XVIII com o efeito do Iluminismo promovidas pela Europa, nos séculos XIX e ate os anos 70 do século XX com a plenitude da modernidade.

F.008 – Nova Galeria Estatal, Stuttgart (1984) – James Stirling e Michael Wilford.
Fonte: Kuviajes

O conceito de “reinventar” está cada vez mais presente no espaço contemporâneo, como exemplo claro e audacioso da Prefeita de Paris Anne Hidalgo, quando convoca em 2015 para o concurso de 23 espaços púbicos que são de propriedade da prefeitura parisiense, que tem como conceito “densidade, diversidade, energia e resiliência”, onde o fazer de novo ou de uma maneira diferente.

A inovação não só na questão cultural, mais outros aspectos como de moradia, espaços de convivência, outras formas de trabalhar como é coworking, novos tipos de viveiros, outras maneiras de fazer comercio como showrooms, fab labs, lojas efêmeras, e outros.

F.009 – Reinventar Paris – Le Relais Itália (2015), antigo conservatório Maurice Ravel, Paris – Pablo Katz e arquitetos associados.
Fonte: Ame-Archi

Mais nada de isto seria possível sem a participação da população parisiense, que claro, serve como exemplo, até porque sua participação foi fundamental para chegar de uma forma democrática e inteligente de reinventar estes espaços com diversos usos. Agregar em forma participativa, contribuir, reinventar, conviver, democratizar, entre outros, já faz parte do convívio espacial contemporâneo.

Goiânia, 6 de outubro de 2016.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia

GHIRARDO, Diane; Arquitetura contemporânea: uma história concisa, Ed. Martins Fontes, São Paulo, 2009.

GRAEFF, Edgar Albuquerque; Edifício, Editado Cadernos Brasileiros de Arquitetura, Volume 7, São Paulo, 1986.

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

FARRELLY, Lorraine; Fundamentos de Arquitetura, Editora Bookman, Porto Alegre, 2014.

http://www.reinventer.paris/en/accueil-es/ (baixado em 05/10/2016)



lunes, 19 de septiembre de 2016

Ionh Ming Pei – um arquiteto modernista com visões atemporais.

Ionh Ming Pei – um arquiteto modernista com visões atemporais.
Jorge Villavisencio.

Para a arquitetura pesquisar sobre o longevo arquiteto Ionh Ming Pei (1917-), tem razões especiais, primeiro por ter uma arquitetura com um embasamento muito solido sobre a arquitetura moderna – alguns o atribuem como um arquiteto brutalista. Segundo porque pensamos que o motivo dele projetar está relacionado com os espaços públicos e cívicos, além-claro de alguns de seus projetos com visão atemporal.

São muitos os projetos do arquiteto Pei, sem duvida ao ganhar o premio Pritzker no ano de 1983, é claro pela notoriedade e o talento do projeto da ampliação do Museu de Louvre (1981-1989) fica mais afincado sua razão projetual. “Seu trabalho cria ambientes onde as pessoas podem circular sem empecilhos e integrar-se, aprender e criar: bibliotecas, museus, galeias de arte...” (Denison, 2013:137)

F.01 – Ampliação do Museu de Louvre, Paris. (1981-1989)
Fonte: archdialy (Brasil) – I. M. Pei.

Mais Ming Pei nascido na China e aos 18 anos migra para os Estados Unidos onde inicia seus estudos de arquitetura na Universidade de Pensilvânia, mais se transfere para o MIT onde conclui seus estudos. Mais Pei também fez seu mestrado em arquitetura pela Escola de Pós-grado em Desing na Universidade de Harvard que foi concluído no ano de 1946.

“... descobrindo nessa mesma época (1938) o trabalho de Le Corbusier. Encorajado pelos seus professores do MIT, retomou seus estudos de arquitetura, porém reteve em sua abordagem uma interação bem sucedida entre a estrutura em funcionamento e a estética”. (Denison, 2013:137)

F.02 – Biblioteca e Museu John Kennedy, Boston. (1979)
Fonte: Milenico.

Uma das caraterísticas de Pei é a boa escolha dos materiais que vá a ser parte de seus projetos (uso do vidro, concreto, o aço, a pedra e a madeira), como sabemos a materialidade dos projetos influenciam em muito a percepções do ser humano. Tomamos como referente à ampliação do Museu de Louvre (ver F.01) – “A pirâmide atua como um conjunto compacto e interrupto. A forma da maioria dos edifícios que está subdivida, e suas distintas partes cumprem diferentes funções dinâmicas” (Arnheim, 2001:185) Podemos concluir que forma piramidal termina sendo uma forma atemporal, por isso achamos que Ming Pei torna-se ainda que suas visões ainda sejam contemporâneas.

Não cabe duvida que Pei influencie na arquitetura norte-americana, tanto que foi onde pouco antes (5 anos) de receber seu Pritzker, onde no ano de 1979 recebe a Medalha de Ouro do Instituto Americano dos Arquitetos, a mais alta honraria arquitetônica dos EUA.

F.03 – Centro Sinfônico de Myerson, Dallas. (1989)
Fonte: Bluffon.

“Nos Estados Unidos – como já era observada, a principal experiência norte-americana depende da estrutura tradicional, cuja elasticidade passada, baseada na malha jeffersoniana, traduz-se até hoje em uma conspícua rigidez em relação às transformações... no entanto a serviço da periferia residencial a transforma-los em núcleos complexos de atividades comerciais e recreativas: dentre os projetos mais recentes, devem ser lembrados aqueles para São Mateo na Califórnia (W. Belton & Ass.) para Milwaukee, para Nassau Country, New York (I. M. Pei & Ass.)...” (Benevolo, 2006:786)

Consideramos que a mudança de uma arquitetura até mediados do século XX em norte-americana sempre resguardou sua origens mais do tipo neoclássica, mais como se explica: “Passado-Presente-Futuro: os dois polos entre quais oscilava a arquitetura de museus no final dos anos 70 ficam patentes com um olhar sobre duas obras americanas. De um lado se encontra a ampliação da National Galley of Arts, em Washington DC., realizada por Ieoh Ming Pei de 1978. A forma trapezoidal fora do vulgar, composta por dois triângulos que se interpenetram, resultante do terreno que se encontrava a disposição, confere-lhe, assim, o seu revestimento plano com placas de mármore, uma imagem impressionante e simultaneamente de um classicismo atemporal.” (Tietz, 2008:89-90)

F.04 – Miho Museum, Koka, Japan. (1997) – vista externa.
Fonte: Japan-Guide.

F.05 – Miho Museum, Koka, Japan. (1997) – vista interna.
Fonte: Japan-Guide.

Muitos dos projetos de Ming Pei, tem concordância com a geometria atemporal, de linha puras, este pode se integrar com certa facilidade com ambiente urbano, pensamos que seu passado de sua infância e parte de sua juventude teve muita influencia em suas decisões tectônicas. Não só a forma em si, mais sim pelos cuidados dos materiais empregados, como tínhamos dito anteriormente a materialidade representa para Pei, uma escolha correta, além-claro da forma muito reconhecível da nossa visão espacial.

Pensamos que sua influencia de seus mestres tanto de Gropius em Harvard devem ter sido determinantes na sua conduta projetual, este ocorre nos inicios dos anos 50.

“Posto o que não se experimenta na realidade mais sim a realização, e de realizar é o presente absoluto, não existe distinção possível entre o mundo objetivo e subjetivo, entre a realidade e a ilusão.” (Argan, 1957:133)

F.06 – Museu Alemão de História, Berlin.
Fonte: New Art Net.

No contexto artes-arquitetura se fundamenta pelo conhecimento profundo das condições espaciais em que para Giulio Argan aproveita (claro neste caso de forma do pensamento da Bauhaus) mais bem intuitiva, que nas questões na “intelectualidade espacial”, e coloca como exemplo: “Si cada divisão ou subdivisão” correspondem a certo complexo de atos necessários e si todos os seus atos da sua vida que estão integrados pela função são igualmente necessários, tudo compartimento espacial de uma planta racional tem um valor absoluto, é uma – unidade.
A perfeita racionalidade de uma planta sé reconhece porque os espaços estão divididos qualquer que seja sua extensão de escala, entre se nivelam como valores espaciais absolutos; porque a mesma finalidade e claridade espacial volve-se encontrar em cada unidade; porque nenhum hiato (lacuna) são espaços inertes ou formalmente imprecisos subsiste a forma concisa a economia da planta” (Argan 1957:71)

Para Edgar Graeff define que os edifícios contemporâneos se devam “... a caracterização, e o estudo dos edifícios típicos das sociedades contemporâneas são dificultados pela falta de distanciamento no tempo histórico, que permite estabelecer a necessária visão de conjunto de produção arquitetônica e da real situação da vida social de cada pais.” (Graeff, 1986:57)

F.07 – Banco da China, Hong Kong. (1989)
Fonte: Japan-Guide.

Pensamos que desta forma o arquiteto Ieoh Ming Pei pode perceber sua forma atemporal de fazer arquitetura, de formas simples, mais com uma qualidade esmerada, sua produção tectônica nos leva nas profundidades espaciais que podem ter percepções ou visões que certamente podem ser contemporâneas.

Goiânia, 19 de setembro de 2016.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia.

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

BENEVOLO, Leonardo, História da Arquitetura Moderna, Editora Perspectiva, São Paulo, 2009.

ARGAN, Giulio Carlo; Walter Gropius y el Bauhaus, Editora Nueva Visión, Buenos Aires, 1957.

GRAEFF, Edgar Albuquerque; Edifício; Editora Projeto – Cadernos Brasileiros de Arquitetura – Volume 7, São Paulo, 1986.

TIETZ, Jürgen; Historia da arquitetura contemporânea, Editora HF. Ullmann, Tandem Verlag – GmbH, 2008.

DENISON, Edward, Arquitetura: 50 conceitos e estilos fundamentais explicados de forma clara e rápida, Ed. Publifolha, São Paulo, 2014.





miércoles, 14 de septiembre de 2016

Aproximações dos conexos e desconexos na vida educacional na arquitetura.

Aproximações dos conexos e desconexos na vida educacional na arquitetura.
Jorge Villavisencio.

Ao iniciar está breve aproximação sobre os “conexos e desconexos na vida educacional na arquitetura”, para isto temos adotado vários referentes como do Claus Moller – “O lado humano da qualidade”; Corey Robim – “El miedo: historia de una idea política”; Wiley Ludeña – “Arquitectura: repensando a Vitruvio y la tradición occidental”; Mario Bunge – “Epistemiología”; Steven Johnson – “Sistemas emergentes: O qué tienen em comúm hormigas, neuronas, cidades y software; Léa das Graças Camargo Anastasiou - “Reflexões e práticas em pedagogia universitária”.

Para começar vamos aportar qual seria a relação para a construção de uma nova matriz curricular na arquitetura e urbanismo, não em termos genéricos, mais sempre com uma visão contemporânea prospectiva, com novas possibilidades de criar novo saberes, é claro nem sempre devemos concordar com todo o dito, a ideia base seria de provocar uma possível estratégia para o futuro, partindo da premissa que o futuro é agora ou que começo agora. Assim como sucede na arquitetura e urbanismo que cada dia está mais focado, (assim penso) em dois pontos: a questão de humanizar e de inclusão mais suas cidades e seus edifícios, e da tecnologia conectada ao fato de menos consumo de energia com visão de sustentabilidade, claro este no sentido amplo da palavra “sustiniere”.

O conexo: “Segundo a entrada em vigor da LDBEN 9.394/96, neste contexto a universidade – refere-se aos cidadãos e tem como valor central a cidadania”. O ensinar e o aprender... Sendo Institucional, deve ser construído com base nas necessidades e nos problemas postos pelo colegiado que constitui a instituição.
Como instituição, a Universidade não pode ignorar o mercado de trabalho.
A ação de projetar para adiante – para os próximos anos – é uma ação de reinventar, de “fazer de novo ou de outra forma”. (Anastasiou, 2007). Sem lugar a duvidas o expressado, tem um valor agregado a Universidade não pode se tornar um colegiado que este à margem do mercado de trabalho, mais bem, tem estar mais ligado com o solicitado, mais o principio de cidadania começa a tomar forma quando se conhece profundamente à realidade, que nem sempre é fácil de entender, pelas diferentes teorias que existem. Então a pesquisa e a investigação faz parte fundamental do processo de cognição.

Mais, “Para conseguir satisfazer as exigências, desejos e expectativas dos outros, você tem que certificar de que as conhecem – Umas das saídas é de verificar de tempos em tempos, como as pessoas julgam seus atos, seu desempenho e seu comportamento, em relação a essas exigências” (Moller, 1992:62). Entendemos isto imediatamente como ponto central: que é o ser humano, porque construímos suas cidades e seus edifícios para todos num sentido mais profundo, e não para os poucos como alguns pensam. É caberia muito bem colocar a palavra “inclusão”, para as pessoas que tem certas dificuldades, sejam estas de ordem, socioeconômica, física, outros, sem qualquer tipo de discriminação.

A segunda, esta mais ligada aos “medos”, que é muito comum na vida cotidiana, é claro de alguma forma procuramos ter mais segurança, pelos menos nas ultimas pesquisas é o que se indica, a insegurança se torna como parte da vida comum, então: “Quando se sometiam não tinha resistência nem oposição, nada mais ao movimento físico, como resposta ao movimento físico. Como ideia de ameaça a violência, mais que violência mesma, bastava de se impor a obediência” (Robin, 2009:124). Parecera que estamos resinados a conviver com este problema do medo e da insegurança, e não tomamos nenhuma ação, só nos queda a ter uma obediência à imprudência, penso que, se é uns dos pontos fortes a ser re-pensado, caberia a nos dar mais ênfase a este desconexo, porque em minha opinião chegamos ao limite, não poderemos construir mais cidades medievais, com autenticas fortalezas (do tipo condômino fechado) que se proliferam nas cidades e seccionam o vinculo do ser humano – a falta de convivência das cidades e de seus edifícios.

Para Mario Bunge, que toma a vida como “sistema” pode-se obter: “Um sistema é um objeto complexo, cujas partes ou componentes estão relacionadas de tal modo que o objeto se comporta em certos respectivos como uma unidade, e não como um conjunto de elementos. E um sistema concreto é um sistema cujos componentes são objetivos concretos...” (Bunge, 2004:99). Vejamos, para um analise mais profundo a gente tem analisar todas as partes, para construir certa unidade espacial, que é a maior ambição ou aspiração do que se pode ter um logro tectônico, mais estes objetivos que seriam as partes do próprio sistema. Esta concretização das partes que são esses objetivos concretos, assim desta forma poderia obter a unidade com uma esmerada intensão, objetivando critérios mais profundos.

Através do espaço-tempo, desde o século I, no primeiro Tratado da Arquitetura de Vitruvio tinha analisado que a problemática dos “costumes”, sem duvida muita gente atua o dia a dia na própria maneira – pelo mesmo costume – penso que desta maneira é de se acomodar as formas de vida, mais hoje neste mundo contemporâneo, essa costume penso que vá tomando menos importância, a ideia é de encontrar, ou pensar de modo diferente já faz parte do convívio (pessoas com caráter alternativo), desta forma temos outras valorações. “…as costumes torna-se más complexo na sua acepção. Aparentemente o teor de alguns paisagens, poderiam estar relacionado com a dimensão cultural do humano. Mais, o significado deste fator, tal como é definido por Vitruvio, alude mais a existência da edificação em quanto o sistema de significados com uma forma de uso social”. (Ludeña, 2001:63).

Pensamos que cada ser humano encontra seus próprios patrões ou formas de vida, já seja desde seu ponto de vista socioeconômico ou cultural. Mais como tínhamos dito anteriormente tem certo conformismo da vida cotidiana. Talvez pela exacerbada rotina do dia a dia, mais: “O corpo aprende também de forma inconsciente, e mesmo ocorre com as cidades, porque o aprender não consiste unicamente em ser conscientes com a informação, é também uma questão de armazenar informação e saber onde se pode achar. Se trataria de achar e de ser capaz de encontrar uma resposta aos próprios patrões...” (Johnson, 2001:93). Por isto pensamos que se as cidades e seus patrões ou formas vá encontrando novos rumos, também pode ser que este errado, mais tem que ter o sentido de experimentação, novas experiências são adquiridas no espaço-tempo, através de essa procura de informação em que seja mais conexa com nossas realidades contemporâneas.

“Para isto se exige uma - revisão contínua do quadro teórico-prático global - dos cursos.
“Uma logica própria de cada área, que contem um conjunto de “saberes”, de “saber fazer” e do “ser” profissional a atuar numa realidade” (Anastasiou, 2007).

Goiânia, 14 de setembro de 2016.
Arq. MSc. Jorge Villavisencio.


Bibliografia:

ROBIN, Corey; El miedo: historia de una idea política, Fondo de Cultura Económica, México DF., 2009.

DA CUNHA, Maria Isabel (org.); ANASTASIOU, Léa das Graças Camargo; Reflexões e práticas em pedagogia universitária, Editora Papirus, Campinas – SP., 2007.

MOLLER, Claus; O lado humano da qualidade, Editora Enio Matheus Guazzelli & CIA. Ltda., São Paulo 1992.

BUNGE, Mario; Epistemologia, Editora siglo XXI, Barcelona, 2004.

LUDEÑA, Urquizo Wiley; Arquitectura: repensando a Vitruvio y la tradición occidental, Universidad Nacional de Ingeniería – Facultad de Arquitectura, Urbanismo y Artes – Instituto de Investigaciones, Lima, 2001.

JOHNSON, Steven, Sistemas emergentes: O qué tienen en común hormigas, neuronas, ciudades y software, Fondo de Cultura Económica, México DF., 2001.




sábado, 2 de julio de 2016

Montaner e sua condição contemporânea da arquitetura.

Montaner e sua condição contemporânea da arquitetura.
Jorge Villavisencio.

No mês de abril de 2016, foi publicado no Brasil o tão esperado livro de Josep Maria Montaner: “A condição contemporânea da arquitetura”, Editado pela Editora Gustavo Gili, na cidade de São Paulo, 2016. A tradução do livro fica a cargo de Alexandre Salvaterra. O livro contém nove capítulos.

Para nós que interessa saber sobre a arte da arquitetura (parafraseando a Neufert), os escritos de Montaner em especial suas criticas, penso que faz muito sentido, além-claro de seu poder de visão de síntese com os dados e críticas de diversos projetos de arquitetura e de suas cidades, uma espécie de historia da arquitetura moderna e contemporânea.

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili,São Paulo, 2016.

Montaner não tinha escrito ultimamente, seu último livro de 1997 e atualizado em 2012. “A modernidade Superada: Ensaios sobre a arquitetura contemporânea” da Gustavo Gili Editora. Foi Editada em São Paulo, 2012, e sua tradução ficou a cargo Alicia Duarte Penna.
Penso que no livro A modernidade superada deixa no final do último capitulo “A beleza das arquiteturas ecológicas”, assim permitindo um gostinho em querer saber mais sobre este assunto, tanto assim que Montaner faz referencia ao novo livro que é a continuação do mesmo. Também investigamos neste ultimo livro no capitulo final Arquiteturas do Meio Ambiente, ele expõe o que seriam as “Arquiteturas bioclimáticas, ecológicas, sustentáveis e holísticas”. Que a nossa maneira de ver são este tipo de arquiteturas irão nortear o futuro de fazer edificações e cidades, assunto que abordaremos mais na frente.

No primeiro capitulo “A continuidade do racionalismo e dos princípios modernistas” aborda as evoluções da arquitetura high-tech, o surgimento do minimalismo, a atualidade do Open Building e os suportes de N. John Habranken, Lacaton e Vassal; economia e conveniência do século XXI, arquitetura comercial e metarracionalista e por ultimo a arquitetura digital: cidade global e cidade inteligente. Neste ultima parte faz uma analise do que defendia Mitchell e Eisenman “... na qual as geometrias complexas e sinuosas, criadas no mundo virtual do monitor, sugerem uma pretensa liberação das formas e dos espaços mediante uma arquitetura de redes e correntes, fluidas e transparentes, liquidas e dinâmicas...” (Montaner, 2016:22).

O segundo capitulo “A aceitação do organicismo” aproxima da continuidade do universo de Enric Miralles, Frank O. Gehry: o museu Guggenheim de Bilbao, organicismos contemporâneos, que nesta parte indica “... alguns exemplos de arquitetura contemporânea, que vão desde as formas mais artesanais e serenas de Clorindo Testa ou de Josep Llinas aos experimentos futuristas, dinâmicos e digitais de Dennis Dollens , NOX ou FODA, passando pela herança de Archigram ou de Future Systems.” (Montaner, 2016:35).

Já no capitulo terceiro “Cultura, tipologia e memoria urbana: monumentalidade e domesticidade” fazem a analise a Rafael Moneo: texto, contexto e discípulos, Manuel Solá-Morais: a habitação urbana, Álvaro Siza no seu excelente projeto do Museu Iberê Camargo na cidade de Porto Alegre. A urbanidade das arquitetas vienenses, arquiteturas urbanas, arquiteturas da domesticidade e por ultimo o resgate do valor da arquitetura artesanal.

No quinto capitulo “Arquitetura e Fenomenologia” faz um reconto do realismo e brutalismo, Steven Hall: espaços e percepção, Glenn Marcutt: integração ao meio, Peter Zumthor: a matéria na paisagem, Mauricio Rocha: formas e texturas para os sentidos, Diller Scofidio: o corpo e ação, Williams Tsien: lentidão.

E no sexto capitulo que trata da “Fragmentação caos e iconicidade” aborda o novo pragmatismo, Bernard Tschumi: o Museu de Acrópole, Rem Koolhaas/OMA: a biblioteca pública de Seattle, a escola holandesa contemporânea: MVRDV, Big: a iconicidade da arquitetura, Zaha Hadid: tipologias para o futuro e termina o capitulo com as diversas arquiteturas da complexidade.

No sétimo capitulo “Digramas e Energia” analisa a SANAA: teoria e prática dos diagramas, Junya Ishigami: arquitetura liquida para a ação, os ideogramas de RCR arquitetos, Atelie UM Studio: diagrama em quatro dimensões, e a evolução dos diagramas.

No penúltimo do oitavo capitulo que trata “da crítica radical aos grupos: arquiteturas da informalidade”, observa a busca de novos modos de ensino da arquitetura, arquitetura e arte, arquitetura para prever e melhorar o urbanismo informal, os herdeiros de Cedric Price na América Latina, arquiteturas coletivas e por ultimo moradias com participação.

No ultimo e nono capitulo que trata das “Arquiteturas do meio ambiente”, como tínhamos mencionado no início deste texto, da importância da contemporaneidade em poder conseguir que neste tema que servem para pessoas comuns e professionais interessados ou pesquisadores, tentamos procurar certa felicidade como indica Smuts, através do nosso comportamento e atitude com relação ao meio ambiente, poder fazer melhor é muito bom, isto nos faz além de corretos com os outros, com o povo, com a sociedade de maneira geral, onde podemos sim criar um mundo melhor, e não só pensar no poder capitalista que merma nossos sentimentos e atitudes.

Goiânia, 3 de julho de 2016.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.