martes, 13 de febrero de 2018

Graft arquitetura: a ideia de um novo hibrido biológico.

Graft arquitetura: a ideia de um novo hibrido biológico.
Jorge Villavisencio.

O escritório de arquitetura Graft apesar que a origem de seus membros vem da Alemanha, se formasse o escritório na cidade de Los Angeles em 1998.

O ateliê e composto por três arquitetos: Lars Krückeberg, Wolfram Putz e Thomas Willemeit. Mas emprega vários arquitetos colaboradores tanto nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Além dos projetos de arquitetura desenvolve projetos em planejamento urbano e design. Tem escritório em Los Angeles (Estados Unidos), Beijing (China) e Berlim (Alemanha).

São vários projetos desenvolvidos na Graft, como o Hotel Q (Berlim), Apassionata Park Munchen (Munique), Platoon Kunstalle (Berlim), Paragon Apartaments (Berlim), Old Mill (Belgrado) entre outros. Mas para o presente ensaio veremos duas de suas obras, Dental Clinic KU64 (2005) e Stack Restaurant and Bar Mirage (2005).

G.01 – Dental Clinic KU64 (2005) Berlim, Alemanha – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.143)

Como primeira interrogante qual é essa ideia de um novo hibrido biológico? – título deste ensaio.

Para entender o conceito do hibrido temos tomado duas referencias a primeira de Sofia das Neves na sua Defesa de Mestrado em Lisboa (2012) e de Paulo Spessatto na Universidade de Blumenau (2014).

“A utilização do termo híbrido associado a processos arquitetônicos tem vindo a suscitar cada vez mais interesse e curiosidade na realidade contemporânea. Podendo referir-se a campos estruturais, formais, tipológicos, funcionais, entre outros.”
(Das Neves, Sofia. Edifícios Híbridos, Defesa de Mestrado em Arquitetura, Universidade Técnica de Lisboa, 2012).

“Os edifícios chamados híbridos são aqueles que conjugam diferentes usos no mesmo projeto, totalmente independentes entre si, cada um com sua própria gestão, diferentes desenvolvedores e diferentes usuários. Aqui, o objetivo principal foi criar intensidade e vitalidade para a cidade, atrair as pessoas, e favorecer a mistura.”
(Spessatto, Paulo, Verticalização – Edifício Hibrido, Universidade Regional de Blumenau, 2014).

G.02 – Dental Clinic KU64 (2005) Berlim, Alemanha – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.148)

A primeira citação de Sofia das Neves, nos leva a criar certo despertar ou interesse como ela indica. A curiosidade é parte do ser humano, o saber de que trata já faz parte do nosso convívio, dificilmente como “forma e imagem” (Rudolf Arnheim) de um determinado edifício de tipologia cultural não se queira saber de que trata, até porque os edifícios hibridos criam não só um despertar na sociedade, mais também um ponto referencial no espaço urbano, além-claro como é indicado que conjugam os diferentes usos num mesmo espaço.

G.03 – Dental Clinic KU64 (2005) Berlim, Alemanha – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.147)

A segunda citação de Paulo Spessatto nos parece mais atraente, além que é comum nas duas citações nos “diferentes usos num mesmo espaço”. Primeiro que dentro de cada espaço tem sua própria gestão, é como num mesmo local possam ter diversas empresas, mais cada uma com sua própria gestão, é claro com sua própria responsabilidade administrativa e operacional. Agora achamos de muito interesse ao dizer “intensidade e vitalidade para a cidade”, até porque espaços urbanos, inclusive espaços centrais importantes para a cidade podem ou não estar sendo pouco usados ou frequentados. Pensamos que isto não valoriza a cidade, criar espaços urbanos desertos ou com pouco uso, traz enormes consequências econômicas para a cidade, que ao final todos pagamos, porque todos somos contribuintes porque habitamos nas cidades.
Sobre a questão da biologia está vinculado a arquitetura orgânica, “A arquitetura sempre buscou inspiração nas funções e formas orgânicas da natureza” (Denison, 2013:110).

G.04 – Stack Restaurant and Bar Mirage (2005) Las Vegas, Nevada, Estados Unidos – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.150)

Os precursores mais importantes da arquitetura orgânica temos a Rudolf Steiner (1861-1925) – filosofo antroposófico, arquiteto e escritor austríaco; Imre Makovecz (1935-2011) – arquiteto húngaro, entusiasta da arquitetura orgânica e Bruce Goff (1904-1982) – arquiteto americano, conhecido por sua arquitetura orgânica idiossincrática e eclética.

Mas como sabemos arquitetos relevantes modernos e contemporâneos tem dado projetos como estudo de caso em arquitetura orgânica, como é do Eric Mendelsohn com arquitetura Art Nouveau, Frank Lloyd Wrigth, Louis Sullivan, Hugo Häring, Rudolf Steiner, Jorn Utzon, Eero Saarinen, entre outros arquitetos.

“Qualquer que seja o estilo escolhido, a arquitetura orgânica almeja tornar seus edifícios e seu ambiente um todo unificado, harmônico, e inter-relacionado, sintetizado forma e função” (Denison, 2013:110).

Então está ideia do conceito novo hibrido biológico tem muito a ver, com as citações anteriores, primeira que o hibrido é um novo tema de estudo que tem o objetivo principal foi criar intensidade e vitalidade para a cidade, atrair as pessoas, e favorecer a mistura. Segundo a conceito do orgânico a inspiração nas funções e formas orgânicas da natureza.

Pensamos que esta nova forma de ver a arquitetura (edifício) e a cidade (urbano), está relacionado com a contemporaneidade ou a vida atual, os usuários o seja as pessoas, tem muitas atividades ao mesmo tempo: trabalho, moradia e lazer, o movimento das pessoas e a vida cibernética, colaboram neste tipo de vida em especial nas grandes urbes.

Este movimento de pessoas o “tempo” se torna fundamental, é porque não ter varias atividades no mesmo local? Pode ser um edifício que tenha multiples funções, mas cada uma com sua própria gestão como indica Paulo Spessatto. Assim como as cidades o emprego de formas fluidas e assimétrica que se harmonizam com a natureza do seu entorno.

Penso que a questão da natureza e vida ambiental tem tomado mais incremento nestes últimos anos. Como o explica Montaner nas arquiteturas bioclimáticas, ecológicas, sustentáveis e holísticas.

G.05 – Stack Restaurant and Bar Mirage (2005) Las Vegas, Nevada, Estados Unidos – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.153)

“...a arquitetura moderna que acabou na década de 1960, promovendo uma cultura de consumo, de edifícios com climatização artificial. As formas por ela defendidas demais, e seu vocabulário, abstrato, restringido e simplificado em desacordo com os que posteriormente se tornariam critérios de uma arquitetura versátil e resiliente, de acordo com o que meio ambiente e que, para ser sustentável, tem precisado se renovar” (Montaner, 2016:112).

O edifício da Dental Clinic KU64 (2005) projetado pelo escritório Graft, está localizado na Alemanha na cidade de Berlim, tem uma área de 940 m2. Como primeira medida os arquitetos indicam que nos espaços hospitalários tem conotações negativas, até porque frequenta esta tipologia de edifícios chegam as pessoas em estado de convalescência ou deprimidos física e mentalmente pela doença que os afetam.

Desta forma Graft pensam que “...afastem-se os preconceitos negativos e entrassem num ambiente de arte, bem estar e relaxamento” (Jodidio, 2013:144).

Esta citação traz na minha mente o que arquiteto Joao Filgueiras Lima – Lelé, tinha esse pensamento, com são os Hospitais da Rede Sarah Kubistchek em diferente partes do Brasil, onde procura a “humanização” dos ambientes que fazem parte destes hospitais.

No edifício do Dental Clinic tem espaços destinados para não só para os ambientes de tratamento dental, mais tem áreas destinadas para um SPA, café, hotel e pequenos espaços para descanso, lazer e convivência. Penso que este último traz como consequência a convivência que é importante para a arquitetura, que é a humanização dos ambientes.

O Stack Restaurant and Bar Mirage (2005), também do escritório Graft, está localizado em Las Vegas, Nevada, tem uma área de 539 m2.
Indicam Graft: “É gerada uma aliciante paisagem de desfiladeiro através de estriamentos ondulantes de assentos, bar e paredes estratificadas, usando o generoso pé-direito de 5,8 metros de altura, para produzir um efeito de telescópio em profundidade. As camadas horizontais apartadas umas das outras, criando variação dos níveis dos padrões, estruturas em balanço e velocidade” (Jodidio, 2013:150).

G.06 – Stack Restaurant and Bar Mirage (2005) Las Vegas, Nevada, Estados Unidos – escritório de arquitetura Graft.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.153)

Como podemos apreciar tanto na citação como nas imagens do Stack Restaurant and Bar Mirage, neste “aliciante” paisagem que remetem a um questão do infinito e do interminável, adequado na próprias ondulações que os mobílias tem em seu ambiente, assim como do efeitos as linhas horizontais em diversos níveis (na parte superior) que formulam espacialmente ainda mais movimento, que faz o feito de velocidade, que como sabemos faz parte da cultura e do modus vivendi das pessoas que convivem na contemporaneidade.


Goiânia, 14 de fevereiro de 2018.
Arq, MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

MONTANER, Josef Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, São Paulo, 2016.

JODIDIO, Philip; Architecture Now 5, Ed. Julia Krumhauer – Taschen GMBH, Volume 5, Colônia, 2013. (pp.142-153).

DENISON, Edward; Arquitetura: 50 conceitos e estilos fundamentais explicados de forma clara e rápida, Ed. Publifolha, São Paulo, 2013.

VILLAVISENCIO, Jorge; A constelação dos espaços culturais, Blog: arquitecturavillavisencio, Goiânia, 2016.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2016/10/a-constelacao-dos-espacos-culturais.html




lunes, 5 de febrero de 2018

A intenção dos conceitos arquitetônicos.

A intenção dos conceitos arquitetônicos.
Jorge Villavisencio.

O presente texto é sobre a “intenção dos conceitos arquitetônicos”, de como nasce a ideia de determinado projeto de arquitetura em que foi encomendado, talvez o texto tenha reflexo de pensamentos que possam auxiliar para a toma de decisões de conceitos e do partido arquitetônico.

Mas não podemos pensar que o conceito e o partido arquitetônico são assuntos dissociados, ao contrário são elementos “associados” é um mesmo momento na toma de decisão, é uma unidade.

Temos tomado como referência o texto do mineiro o arquiteto Carlos Alberto Maciel, no seu texto “Arquitetura, projeto e conceito”.

A primeira pergunta que faz um arquiteto: Como iniciar o projeto?

Nesta primeira interrogante está relacionada com “intenção” que tenha o arquiteto para a realização do projeto, vejamos:
Mas devemos esclarecer que a finalidade da arquitetura que em síntese é: “... a arquitetura é antes de mais nada construção, mas, construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando determinada INTENÇÃO” – Arq. Lúcio Costa (1902-1998).

Para Maciel a conceptualização está vinculada a três pontos: o lugar, o programa e a construção. Mas todo isto vinculado a questões de premissas “ficção, analogia, metáfora ou discurso filosófico”.

O “lugar” se torna fundamental como primeiro contato espacial que tem o projetista com a realidade, falamos de realidade como algo concreto e mesurável, e claro, vem toda questão dos assuntos pertinente a questões das “condicionantes”.

A apropriação espacial do terreno é fundamental para poder levar o ato projetual de forma concisa, que é a síntese das variáveis que estão em nossas hipóteses. Então, o projeto como tal “surge no momento que se estabelecem conceptos compositivos, funcionais, técnicos e referenciais” (Méndez, 2009:79)

MM.01 – A interpretação pessoal de um terreno.
Fonte: Lorraine Farrelly – Fundamentos da Arquitetura (pp.15).

Para Maciel “A geografia, a topografia e a geometria do terreno, sua conformação geológica, a paisagem física e cultura, a estrutura urbana, o sol, os ventos e as chuvas e ainda a legislação – é conclui tudo está ali”.

Entendemos que tudo esta ali mesmo, mas é necessário ter um poder interpretativo é um aguçado sentido de observação, aliado a própria experiência em que o arquiteto vai se aprimorando através do tempo.

Outro assunto que está relacionado a “compreensão”, sobre isto está vinculado, assim penso, a dois assuntos. O primeiro está relacionado a experiência que tem o professional, sem dúvida através do tempo o arquiteto tem passado por muitas “experiências” no ato projetual, o senso critico vai se aprimorando, sendo pelos próprios acertos, mais principalmente pelos desacertos. Além claro das pesquisas e investigações profundas e consciente da nossa profissão nos exige.

A segunda está vinculada a “observação” do lugar, não só as condicionantes que são fundamentais para a relevância acertativa do projeto, mais sim como processo de “apropriação” do espaço. É provável que pequenas coisas devem ser observadas no lugar onde possam ser importantes ou não. Podemos citar aspectos de “luz e sombra” podem ajudar ao processo criativo do partido arquitetônico. Não existe uma formula concreta, são aspectos que vão tomando incremento conceitual nas nossas mentes.

MM.02 – Levantamento histórico do terreno.
Fonte: Lorraine Farrelly – Fundamentos da Arquitetura (pp.17).

Mas devemos deixar claro que o processo projetual não é um acontecimento de fórmulas precisas, ele pode e deve seguir certas metodologias que estão inseridas dentro da análise e dos diagnósticos, vistos e revistos dentro das condicionantes que fazem parte das pesquisas prévias ao projeto. Condicionantes como: pré-dimensionamento, legislação, isolação, ventos, topografia e outros que fazem partes da análise. O proposito de tudo isto é ter com clareza nossas “diretrizes projetuais”.
Sem essa análise, e sem diagnostico é pouco provável que sejam atendidas as exigências de um determinado projeto com qualidade esperada.

O segundo ponto indicado por Maciel, é a questão do “programa”, o programa como sínteses do que nossos clientes nos solicitam e aspiram, mas temos uma questão de consciência, é ética, assunto que devemos tocar mais na frente.

O uso e as atividades são as que dão origem as demandas de uma determinada edificação. O primeiro a fazer é de definir essas atividades, mas não em questão horizontal (em planta), mas bem em ambos os sentidos (vertical), até porque o resultado da volumetria vem em forma tridimensional.

MM.03 – Esquemas de um programa arquitetônico.
Fonte: Disciplina de Projeto V – Edifício Cultural (2016) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIEvangélica.

A determinação de espaços está vinculada diretamente à questão das necessidades, onde precisa ser clareza para ser instalado programaticamente no seu projeto. A ambiência se torna importante para os espaços que serão definidos, mas entendemos que são espaços de permanência ou de percurso determinados pela circulação de pessoas, mas também poderiam ter vários usos, talvez algo mais flexível de dois ou mais usos ou atividades como sucede com os espaços para a convivência.

Maciel explica que “...pensar o espaço fisicamente construído a partir de forças e tensões que as diferenciações entre o domínio do individual e o coletivo”.

O programa deve atender aos diversos modos de vida dos usuários, porque as atividades que eles exercem tem que ser atendidas. Também temos uma questão da área a ser construída, que trata deste último ponto deste texto que é a construção.

MM.04 – Maquete física de um programa arquitetônico.
Fonte: Disciplina de Projeto V – Edifício Cultural (2017) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIEvangélica.

O programa para um determinado espaço físico pode acontecer continuidades, descontinuidades, separações e fragmentações, demarcações, todo isto com fim de entender os domínios entre o público e o privado.

Outro aspecto importante está vinculado a “construção”, podemos entender que a construção é o resultado ou a finalização de todos os aspectos que forem colocados anteriormente. Arquitetos como Lucio Costa, João Figueiras Lima – Lelé tem colocado em varias oportunidades que a essência da arquitetura está na “obra construída”.

MM.05 – Red House (2001-2002) Oslo, Noruega – Jarmund/Vigsnes AS Architects MNAL.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.175)

Mas tem aspectos que são colocados por Maciel que devem ser ditos como: “A definição das fundações, a estrutura, das proteções com as intempéries, das instalações complementares, dos processos construtivos e dos detalhes, bem como a eleição dos materiais, são escolhas do arquiteto que visam viabilizar a realização do espaço imaginário e resulta na forma arquitetônica.” é conclui: “O conhecimento da construção é a única possibilidade de viabilizar concretamente a ideia arquitetônica”.

Sobre isto temos dois assuntos que devemos esclarecer. O primeiro está vinculado a questão do conhecimento dos materiais que serão aplicados a obra, como sabemos todo dia nascem novos materiais que colaboram com a técnica a ser aplicado na construção, assim como a proposta da materialidade em que foi pensado o projeto. Aspectos relativos na proposta do projeto, que sem dúvida vão a dar os aspectos relevantes ao próprio projeto arquitetônico.

MM.06 – Red House (2001-2002) Oslo, Noruega – Jarmund/Vigsnes AS Architects MNAL.
Fonte: Philip Jodidio – Architecture Now 5 (pp.177)

O segundo ponto está relacionado ao processo construtivo, que é a tecnologia construtiva que será aplicada na construção, como sabemos este incide é muito com os custos da obra, desperdício de materiais, tempo excessivo na construção, mão de obra não qualificada entre outros acarreiam custos adicionais sem precisar. Até poderias pensar que não existe uma ética do profissional ou desconhecimento das formas construtivas, por falta de experiência ou simplesmente por falta de pesquisas que possam auxiliar no processo da construção. Como foi dito na citação de Maciel: “O conhecimento da construção é a única possibilidade de viabilizar concretamente a ideia arquitetônica”.

Goiânia, 5 de fevereiro de 2018.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografía:

MÉNDEZ, Rafael; Teoría y prática, La forma del proyecto: enseñar y aprender a proyectar, De arquitectura, Editado Universidad de los Andes, Bogotá, 2009. (pp. 79-91).

JODIDIO, Philip; Architecture Now 5, Ed. Julia Krumhauer – Taschen GMBH, Volume 5, Colônia, 2013. (pp.175-181)

FARRELLY, Lorraine; Fundamentos de Arquitetura, Ed. Bookman, Porto Alegre, 2014. (pp.12-19)

MACIEL, Carlos Alberto; Arquitetura, projeto e conceito, Vitruvius, Arquitextos, dezembro, 2003.
http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/04.043/633

VILLAVISENCIO, Jorge; A intenção entre a pratica e a teoria da arquitetura, Blog: arquitecturavillavisencio, outubro, 2013.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2013/10/a-intencao-entre-teoria-e-pratica-da.html

VILLAVISENCIO, Jorge; Estratégias e percepção do espaço da arquitetura contemporânea, Blog: arquitecturavillavisencio, março, 2015.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2015/03/estrategias-e-percepcao-do-espaco-da.html


sábado, 9 de diciembre de 2017

Kazuyo Sejima: sua visão da arquitetura da arquitetura contemporânea.

Kazuyo Sejima: sua visão da arquitetura da arquitetura contemporânea.
Jorge Villavisencio.

Ao escrever este breve texto sobre arquiteta japonesa Kazuyo Sejima penso que possa ser relevante e inspirador na maneira de ver a arquitetura contemporânea. Mas sem dúvida tem caraterísticas peculiares de ver o espaço designado, onde trataremos de alcançar da maneira como projeta seus edifícios.

Num primeiro momento pensamos que se trata de uma arquitetura onde parece que suas influencias estão dedicadas a este tipo de arquitetura de índole abstrata, mas Sejima explica que a intenção de projetar seus edifícios está relacionado para que o “espaço este aberto para a cidade”.

SJ.01 – Pavilhão Serpentine Gallery (2009) Londres, arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa (SANAA)
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

Para Mohsen Mostafavi explica sobre o trabalho principalmente do escritório de arquitetura: “SANAA não inicia seus projetos como a imagem do edifício, mas bem que pudesse descrever como um período de descobrimento. Se opõe a uma resistência deliberada da imagem visual, e todo seu comprometimento está ligado as preexistências ... o desejo de seus clientes, as caraterísticas e qualidades do lugar, é a seus próprios interesses.”
(Marquez, 2010:90)

Pensamos sobre o dito por Mostafavi, primeiro que existe sim uma procura pela “descoberta” na própria pesquisa e intensão projetual. Segundo que o lugar incide muito na decisão projetual do partido arquitetônico, além que as preexistências tanto urbanas como dos edifícios do entorno imediato ou edificações que estão mais longe advém a essa tão esperada integração com o espaço. Terceiro a atenção esmerada para com seus clientes, que na realidade são as expectativas do que eles querem.

Discorrer sobre o escritório da SANAA é falar sobre os arquitetos japonês Kazuyo Sejima (1956-) e Ryue Nishizawa (1966-), ambos fundam seu escritório no ano de 1995. Mas também participam com outros escritórios de arquitetura de forma individual.

Kazuyo Sejima, nasce em Ibakari, Japão no ano de 1956, no ano de 1981 graduasse na Universidade de Mulheres do Japão, nesse mesmo ano entra a formar parte da equipe do renomado arquiteto japonês Toyo Ito. Foi professora na Universidade de Keio em Tóquio (2001-). Professora convidada da Escola Politécnica Federal de Lausanne na Suíça (2005-2006), e na Universidade de Princeton no Estados Unidos (2005-2008). Através de seus trabalhos teve diversos prêmios, mas destacamos o Prêmio Priztker no de 2010 em conjunto com o arquiteto Ryue Nishizawa.

SJ.02 – Centro Universitario Rolex (2005-2010) Lausanne, Suiça, arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa – SANAA.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

“Diagramas e Energias: Assim Como se anunciava no final da década de 1980 e no princípio dos anos de 1990, uma das linhas contemporâneas que se tornou predominante tem sido da arquitetura de diagramas, teorizada por volta de 1990 por Anthony Vidler, Robert Samol, entre outros, e realiza de modo diverso nas obras dos ateliês como de Kazujo Sejima, Zaha Hadid ou Un Studio. Este novo surgimento dos diagramas de energias foi produzido após a idade de ouro da crítica e da teoria da arquitetura das décadas de 1960 e 1970 e recuperou a linha experimental e vitaliza do expressionismo alemão de Paul Sheerbart e Bruno Taut”.
(Montaner, 2016:86)

Sobro isto, pensamos que Sejima ao ter trabalhado nos anos de 1980 com o arquiteto Toyo Ito (1941-), influencia a Sejima, com o tema da consciência da energia – transparência, translucides, luz natural e deslocamento horizontal e vertical entre outros.
São muitas obras de Sejima e Nishizawa que queríamos dar a conhecer, mas temos adotado três obras que podem ser significativas, como é o Centro Universitário Rolex da EPFL., o Conjunto de Apartamentos Okurayama e o Edifício Toyota Aizuma.


O projeto dos arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa da SANAA do Centro Universitário Rolex da EPFL. (2005-2010), encontra-se na cidade de Lausanne na Suíça, o programa do edifício contempla uma biblioteca, salas de usos multiples, escritórios, cafetarias e um restaurante.

SJ.03 – Centro Universitario Rolex (2005-2010) Lausanne, Suiça, arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa – SANAA.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

Pensamos que este edifício de uma só planta se encontra bem aberta para a cidade – a valorização do vazio, desta forma integra o espaço exterior com o interior. Poderíamos pensar de um edifício do tipo hibrido que dá preferencia aos frequentadores, tanto que os espaços para a conivência se tornam fundamentais, pelos menos é o que indica seu programa, na ocupação dos espaços destinados para de cafetaria e restaurante, claro além do uso especifico da biblioteca e sala de usos multiples.

SJ.04 – Centro Universitario Rolex (2005-2010) Lausanne, Suiça, arquitetos Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa – SANAA.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

Consideramos importante destacar que todos seus espaços são de uso continuo deixando a planta baixa do térreo de 166 x 121 metros.
Existe uma sutileza nos seus elevados que entregam a essa permeabilidade espacial. Algo sinuoso com uma harmonia que faz que os elementos de luz e sombra sejam valorizados, além da topografia do lugar com inclinações suaves que sobem e descem.

“Também vale notar que a ênfase contemporânea em membranas leves, texturadas disponibilizadas pela produção digital teve o efeito de – estetizar – completamente a membrana”. (Frampton, 2000:455)


Os Apartamentos Okurayama (2006-2008) em Yokohama, Japão da arquiteta Kazuyo Sejima, está perto da Estação de trem de Okurayama. O edifício abriga nove apartamentos de aproximadamente 50 m2.

Tem uma área central como espaço integrador de 450 m2. Pensamos que este espaço seja o integrador das pessoas a própria convivência, espaços desta natureza faz que a humanização prevaleça, consideramos que a arquitetura contemporânea procure isso.

SJ.05 – Apartamentos Okurayama (2006-2008) Yokohama, Japão, arquiteta Kazuyo Sejima.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

“A ideia é de criar uma serie de lares superpostos. Jardins e habitações se misturam de forma confortável ...a atmosfera das unidades habitacionais seja aberta e luminosa, onde se conecta com as áreas verdes, o que amplia o campo de ação dos moradores em toda sua implantação”. (Marquez, 2010:90)

É importante ressaltar que os apartamentos variam em seus diversos níveis deixando espaços abertos com pequenas áreas verdes nas plantas superiores, além dessa valorização dos cheios e vazios assim com a continuidade espacial que formam parte caraterística de Sejima.

SJ.06 – Apartamentos Okurayama (2006-2008) Yokohama, Japão, arquiteta Kazuyo Sejima.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

“Contudo, em geral, quando o planejamento urbano é posto em causa, as considerações estéticas são relegadas para o segundo plano”.
(Tietz, 2008:67)

Pensamos que o projeto de Okurayama, tem essa caraterística indicada por Tietz, o importante não é o edifício mais sim o espaço exterior que o circunda (paisagem urbana), é isso só se consegue com a permeabilidade espacial que o edifício cria diálogo com o urbano.


O Edifício Toyota Aizuma (2006-2010) em Aichi, Japão da arquiteta Kazuyo Sejima, na realidade o uso do edifício é um centro comunitário para a cidade de Aichi, devemos indicar que a geografia de Aichi prevalece nos seus arredores de montanhas e arrozais.

SJ.07 – Edifício Toyota Aizuma (2006-2010) Aichi, Japão, arquiteta Kazuyo Sejima.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

O edifício tem varias plantas, e cria em certos pontos balanços e terraços. O programa inclui generosos espaços multiusos, divididos em sua maioria por vidros em forma ondulada, penso que desta forma os ambientes ficam mais suaves, algo assim, como de dar continuidade espacial no seu interior.

Também existe uma relação do edifício que estar em todo momento com o espaço exterior, como tínhamos dito, “a relação com a cidade”, o dialogo com o espaço da cidade.

SJ.08 – Edifício Toyota Aizuma (2006-2010) Aichi, Japão, arquiteta Kazuyo Sejima.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki.

Por último pensamos que a uma intenção de celebrar o espaço vazio, o relacionamento do dialogo espacial com a cidade e o edifício, uma preferência nas questões do objeto abstrato, as experiências com o diagramas e energias, a valorização dos elementos de luz e sombra, permeabilidade espacial e as conexões com as áreas verdes, são algumas das características na maneira de projetar a arquitetura de seus edifícios.


Goiânia, 9 de dezembro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

MONTANER, Josep Maria; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2016.

MARQUEZ, Cecilia Fernando; Revista El Croquis: SANAA 2008-2011, Número 155, El Croquis Editorial, Madrid, 2010.

FRAMPTON, Kenneth; História da Crítica da Arquitetura Moderna, Editora Martins Fontes, São Paulo, 2015.

TIETZ, Jürgen; História da Arquitetura Contemporânea, Ed. H.F.Ullmann, Tandem Verlag GmbH, 2008.




viernes, 1 de diciembre de 2017

Smiljan Radic: o refugio da arquitetura contemporânea.

Smiljan Radic: o refugio da arquitetura contemporânea.
Jorge Villavisencio.

Pensamos neste breve texto que trata do arquiteto chileno Smiljan Radic, pode ter conotações e inspirações que podem ser uteis para os que investigamos a arquitetura contemporânea, mais ainda tratando-se da arquitetura sul-americana, onde temos muitas coisas em comum, como são aspectos sociais, econômicos e culturais. Claro, guardando sua identidade histórica cultural, mais o dinamismo que faz parte da vida contemporânea:

“A identidade e arquitetura não é um valor congelado no tempo, mas que constituí um dinamismo, onde o homem personalizado socialmente deve atuar como protagonista na configuração da identidade de sua comunidade. Na medida em que a identidade é coletiva e abrangente, é exige a sua vez uma harmonia de expressões diversas, numa manifestação pluralista”. (Gutierrez, 1998:110)

S.01 – A ampliação da casa do carvoeiro (1998-1999), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis (2013).

Smiljan Radic Clarke (1965-), arquiteto nascido na cidade de Santiago de Chile, formado em arquitetura pela Universidade Católica de Chile, realiza seus estudos de pós-graduação no Instituto Universitário de Arquitetura em Venécia, no ano de 1995 abre seu escritório de arquitetura em Santiago de Chile.

O trabalho de Radic é muito conhecido pelo projeto do Gallery Serpentine de 2014, mas neste texto veremos algumas de suas obras como é a Casa de Cobre 2, o Restaurante Mestizo, a Bodega de vinhos Vik, e da Casa Pite entre outras.

Mas consideramos que a arquitetura do Chile de maneira geral tem tomado mais impulso nestas ultimas décadas, uma espécie de reinvenção desta nova geração:

“Para Fernando Pérez Oyarzun, um dos fatos de ter progresso à arquitetura do Chile (é seus representantes arquitetos chilenos) foi levar a seus arquitetos a diferentes partes do mundo como China, Alemanha, Estados Unidos, Suíça, Argentina entre outros principalmente com trabalhos de Mathias Klotz, Smiljan Radic, Alejandro Aravena, José Cruz e Sebastian Irrázaval”.
(Villavisencio, 2016)

Alejandro Crispiani lembra: “E comum indicar da importância e consideração da paisagem natural onde tem uma importância na moderna arquitetura do Chile, de forma particular a mais recente. Tudo isto resulta compreensível dada à nova sensibilidade frente ao tema de desapego com toda a cultura arquitetônica no final do século XX...” (Marquez, 2013:36)

Mais sem duvida, vale a pena dizer que: “O paisagem e contexto urbano – Que na realidade a paisagem e força da natureza que são do Chile o mais de significativo que a oferta cultural que há constituído uma convicção relativamente difundida.” (Pérez, 2010:271, in Fernandez Galiano).

No projeto da Casa de Cobre 2 (2004-2005), encontra-se na cidade de Talca no Chile, num terreno de 5.000 m2., e tem uma área construída de 165 m2. Nesta obra de forma prismática irregular, penso que tem pontos importantes, primeiro que se assemelham a construções típicas do lugar, assim também a materialidade é um ponto forte no processo construtivo.

S.02 – Casa de Cobre 2 (2004-2005), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Guy Sinclaire.

“Sempre acho que as fachadas, ou melhor, dito, a pele que envolve a construção, deva entregar uma clara informação de suas vizinhanças. Talvez devam ser uma espécie de escudo frente aos olhares das vizinhanças”. (Marquez, 2013:90)

Poderíamos dizer que nesta obra se encontra permeada baixo a espacialidade da mesma materialidade, além uma espécie de resgate das formas simples das antigas casas da cidade de Talca. Também existe em lugares estratégicos da edificação uma permeabilidade espacial (horizontalmente) que esta relacionada à própria paisagem do lugar, assim de uma introspeção que valoriza o espaço interno com o vazio no meio da casa em forma vertical.

S.03 – Casa de Cobre 2 (2004-2005), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Guy Sinclaire.

O projeto do Restaurante Mestizo (2005-2007), está localizado em Santiago de Chile, com uma área construída de 652 m2., a obra tem a colaboração da escultora Marcela Correa.

S.04 – Restaurante Mestizo (2005-2007), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki e Gonzalo Puga.

“A primeira ideia do restaurante criamos a sensação de imaginários diferentes na arquitetura”.
(Marquez, 2013:160)

A arquitetura está regada de ideias e conceitos espaciais que podem estar ligados ao imaginário, talvez neste caso a forma construtiva e dos materiais empregados tem essa sensação, como as pedras que são levadas como suporte de seus pilares, e dos grandes vãos em suas vigas de concreto armado que entrega a esse conceito de industrialização.

S.05 – Restaurante Mestizo (2005-2007), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Susuki e Gonzalo Puga.

A proposta de criar um parque no lugar valoriza a espacialidade, porque a forma espacial está totalmente aberta à paisagem criada, e também a paisagem natural como são as montanhas que estão ao redor. Existe também uma permeabilidade espacial tanto como é na cobertura com transparência, além-claro a abertura de toda a edificação em todos seus contextos (lados) do espaço onde cria um vinculo do exterior ao interior ou vice-versa.

A obra da Adega de vinhos Vik (2008-2013), localizada em Milahue no Chile, tem um terreno de 4.400 hectares, sua construção é de 302 m2.

“Cada um dos âmbitos produtivos responde a essas variáveis, as quais muitas vezes e chamado – o mundo do vinho – que se presenta como se fora sem concilio, e levam a emascarar ou a esconder aos olhos do visitante, a escala real do processo industrial”. (Marquez, 2013:78)

S.06 – Maquete da Adega de Vinhos Vik (2008-2013), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia e Maquete de Hisao Susuki.

Como nos sabemos Chile tem demostrado a varias décadas que é um grande produtor de vinhos no mundo todo. A verdadeira vontade de todo um pais em permanecer como legitimo ante essas demanda. Pensamos que a valorização da arquitetura em este tipo de projetos valoriza ainda mais essa tese, de um panorama global de necessidades.

S.07 – Adega de Vinhos Vik (2008-2013), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia e Maquete de Hisao Susuki.

A ideia de fazer que o edifício seja semienterrado, penso que tem dois pontos importantes, a primeira de não figurar o edifício como elemento fundamental do processo produtivo da adega. O segundo está pensado como processo de climatização para preservação dos vinhos, como sabemos ao estarem enterradas as adegas o clima interno do espaço favorece.
A forma lineal que abre as cordilheiras refrigera ainda mais, e valoriza o fator climatológico do espaço interno da edificação.
Mas também, podemos pensar dentro da ideia do imaginário das antigas construções pré-hispânicas. Exemplo claro da obra do Museu no deserto de Atacama, Antofagasta (2009) de Coz, Polidura e Volante – arquitetos, ou do Museu de Pachacamac (2015) no distrito de Lurín na cidade de Lima dos arquitetos Patrícia Llosa e Rodolfo Cortegana.

A Casa Pite (2003-2005), situado em Papudo no Chile, tem um terreno de 15.000 m2., e uma área construída de 400 m2.

S.08 – Casa Pite (2003-2005), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Suzuki, Erieta Attali e Gonzalo Puga.

“A Casa se entende em diversas e claras situações de uma geografia que colaboram em caracterizar casa um dos ambientes interiores. A parte central flutua sobre o mar, os dormitórios dos hospedes são pequenas grutas sobre a paisagem, o volume das crianças encontra-se afastada na parte baixa do terreno ao lado do barulho permanente das ondas do mar”. (Marquez, 2013:124)

Não temos duvida que a topografia do lugar tenha colaborado muito com a espacialidade formal da edificação. A contemplação se da por inteiro na solução dos espaços criados, além que cria em seus terraços da cobertura espaços adequados para a convivência e contemplação do lugar.

S.09 – Casa Pite (2003-2005), arquiteto Smiljan Radic.
Fonte: El Croquis – Fotografia de Hisao Suzuki, Erieta Attali e Gonzalo Puga.

Queremos finalizar o texto e dizer: primeiro que existe um dinamismo que faz parte da vida contemporânea, segundo temos uma espécie de reinvenção desta nova geração, terceiro que a paisagem é força da natureza, quarto que no Chile existe uma verdadeira vontade de todo um pais em permanecer como legitimo ante essas demanda, e por ultimo que arquitetura está regada de ideias e conceitos espaciais que podem estar ligados ao imaginário.

Goiânia, 1 de dezembro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

GUTIERREZ, Ramón; Arquitectura Latinoamericana em el siglo XX, Lunwerg Editores, Barcelona, 1998.

MARQUEZ, Cecilia Fernando; Revista El Croquis: Smiljan Radic 2003-2013, Numero 167, Croquis Editorial, Madrid, 2013.

FERNÁNDEZ-GALIANO, Luis (coordinador); Atlas del siglo XXI – América, Ed. Fundación BBVA, Bilbao, 2010.

VILLAVISENCIO, Jorge; Arquitetura contemporânea do Chile, Goiânia, 2016.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2016/03/arquitetura-contemporanea-do-chile.html




miércoles, 22 de noviembre de 2017

A transcendência dos princípios universais na arquitetura.

A transcendência dos princípios universais da arquitetura.
Jorge Villavisencio.

Com o passar do tempo temos tomando mais ênfase nos princípios universais claro baixo a ótica da geometria, a forma, e o percurso na arquitetura e urbanismo, assunto que trataremos neste breve ensaio.

Pensamos que o princípio universal está vinculado à própria ideia conceitual do pacto global em querer entender ou visualizar princípios básicos que sejam comuns a todos, que nem sempre se consegue, porque temos pontos de vista diferentes, que não são comuns a todos, mas sem duvida isto acontece na vida comum, mas na arquitetura o assunto é diferente, temos fatores da causa e efeito que está vinculado a Lei do Retorno (ação e reação) – o que queremos fazer ou qual é a nossa intensão.

“Existem ideias e conceitos universais que transcendem os estilos e épocas, afetando a arquitetura de diversas maneiras... podem descrever a arquitetura ou definir a maior parte da arquitetura”. (Farrelly, 2014:138)

Sempre é de bom tom lembrar o dito pelo arquiteto Oscar Niemeyer, ao dizer: “que a arquitetura não e questão de estilos, o ela é boa o ela é ruim” é isto tem relação direta com a citação de Lorraine Farrelly, o tempo tem demostrado que a arquitetura e suas obras podem sim ter elementos importantes de estudo, de pesquisa para outros projetos como estudo de caso, porque são projetos que através do tempo fazem parte da vida cotidiana dos acadêmicos da arquitetura e urbanismo.

Existe também um poder filosófico muito intenso, para o arquiteto e pesquisador Wiley Ludeña (2009) indica que os “Referentes” são importantes para na toma de decisões na conceptualização do partido arquitetônico, e fixa uma Matriz Filosófica que se baseiam em quatro pontos: Referente Biológico: humano ou animal; Referente Inorgânico: cavernas, pedras, mundo das tecnologias, mecânicas e outros; Referente Cultural: artes – pintura, escultura, poesia, literatura e outros; e o Referente da Arquitetura: como forma e imagem.

“Compensando o movimento da imagem projetada na retina do olho, existe um feedback que proporciona a informação dos impulsos motores que controlam o musculo dos olhos até os centros cerebrais que controlam a visão.” (Arnheim, 2001:103)

Com isto podemos pensar que a imagem e a própria forma conduzem a uma nova experiência visual, um retorno que vem a nossa mente que nos dá emoção seja esta positiva ou negativa, o retorno dessa experiência visual como referente da arquitetura tem esse valor agregado, que influenciam nossa forma de pensar.

O primeiro ponto se baseia na “geometria”, nesse contexto existe um ordem na organização do espaço, que é um sistema que organizam nossa maneira de pensar como é a simetria, como eixos onde dividem espaços de um lado para outro, podemos pensar que o referente humano, como exemplo si dividimos nosso corpos no eixo central (no meio), no sentido vertical temos dois olhos, duas orelhas, dois barcos, duas pernas e assim vai. Mas existem outras como e a proporção, a escala visual e humana, eixos, hierarquias, ritmo repetição, transformação entre outros.

“A proporção se refere a relação entre as partes e o todo. No caso da arquitetura, a proporção representa a relação da escala com a hierarquia de uma edificação ou de seus elementos em relação a forma total.” (Farrelly, 2014:138)

A através do tempo a abstração tem colaborado, é muito, com a arquitetura vejamos como o arquiteto e professor Elio Martuccelli o explica:

“... assim como uma geometria imbuída em uma abstração Às obras abstratas constitui um suposto mundo melhor, não reproduzem o que tem, inventam um novo. Escapolem da imitação do belo do natural, para reproduzir uma verdade artística, pura e autônoma. Se a abstração e parte da modernidade então devem ter características: universal, impessoal, racional, objetiva, sistemática”. (Martuccelli 2000:39)

O segundo ponto está relacionado com a “forma”, penso que usando termos simples podemos ter caraterísticas sobre a forma ou volume, mais existem formas que são mais dinâmicas como as formas orgânicas, outras talvez mais escultóricas que estão vinculadas a própria aparência externa na edificação.

Para o filosofo Georg Friedrich Hegel explica que a beleza da forma está relacionada com três aspectos: a primeira com a regularidade, a segunda com a simetria de conformidade a uma Lei (Gesetzmässigkeit) que se distingue pelas formas precedentes, e por ultimo a terceira com a harmonia.

Vale dizer que si os elementos que constituem a forma do objeto conforme o explica Hegel “de uma combinação igual, ao que é desigual” tem um valor mais profundo quando esse visitante que observa o objeto sente que ele é “correspondido”. E claro entendemos que isso depende das propriedades da forma, é de como o sujeito procura certa identidade para que seja correspondido.

O ultimo ponto trata do “percurso”, muitos projetos de arquitetura seu partido arquitetônico se baseiam no percurso, de como essa obra vai tomando apropriação do espaço com relação ao lugar, aonde condicionantes com da topografia vai tomando uma iniciativa espacial na condução do projeto.

Inclusive o termo conceitual da “promenade”, pensamos que é muito próprio da modernidade, a procura da percepção do novo, mais como seria possível conhecer o novo sem entender a promenade (conotação de visão ampla), as diferentes visões e percepções que nos entrega esta ferramenta de visão. Não nos referimos a uma hipótese, mais confirmamos os pensamentos visionários que cada pessoa possa ter com percepções diferentes, não existira pensamento de vanguarda si todos pensássemos igual, o importante são das “diferencias” e o que enriquece os pensamentos na cultura está ligada nas formas como percebemos a arte.

A “promenade” na arquitetura tem essa virtude de ordem qualitativa, mais cada um tem sua própria percepção, essa sensibilidade já depende de cada um – e subjetivo, por isso:
“... é preciso aliar a sensibilidade pessoal do observador, que se torna cada vez mais afiado no próprio exercício da vivencia e observação das obras de arte...” (Canton, 2012:20).

Esta sensibilidade espacial na observação do objeto tem considerações importantes na vida cotidiana das pessoas, e claro influenciam no modus vivendi.


Goiânia, 22 de novembro de 2017.

Arq, MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

ARNHEIM, Rudolf; La forma visual de la arquitectura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2001.

FARRELLY, Lorraine; Fundamentos de Arquitetura, Editora Bookman, Porto Alegre, 2014.

LUDEÑA, Urquizo Wiley, Arquitectura. Repensando a Vitruvio y la tradición occidental, Universidad Nacional de Ingeniería, Facultad de Arquitectura, Urbanismo y Artes – Instituto de Investigaciones, Lima, 2001.

MARTUCCELLI, Elio; Arquitectura para una ciudad fragmentada, Centro de Investigación, Universidad Ricardo Palma, Lima, 2000.

CHING, D. K. Francis; Arquitectura Forma Espacio y Orden, Editora Gustavo Gili S. A., Barcelona, 2002.

CANTON, Katia; Do Moderno ao Contemporâneo, Editora Martins Fontes – terceira tiragem, São Paulo, 2012.

Villavisencio, Jorge: A beleza exterior e a forma abstrata segundo Georg Friedrich Hegel, Goiânia, 2014.
http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2016/04/a-beleza-exterior-e-forma-abstrata.html



jueves, 2 de noviembre de 2017

Percepções da Casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi – São Paulo.

Percepções da Casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi – São Paulo.
Jorge Villavisencio.

No ano 2007 foi realizado projeto da Casa de Carapicuíba pelos arquitetos Alvaro Puntoni e Angelo Bucci, com colaboração de Fernando Bizarri, Juliana Braga e Ciro Miguel. A área de construção é de 300.00 m2.

C.01 – Maquete – Casa de Carapicuíba (2007) – Alvaro Puntoni e Angelo Bucci arquitetos.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Para a realização desde breve texto e a escolha desta obra em que trataremos de encontrar alguns assuntos que possam ser importantes (que é nossa intensão) na maneira de projetar edificações, segundo no nosso ponto de vista com a boa proposta deste projeto do partido arquitetônico, é para facilitar o nosso sistema de analise utilizaremos estes sete pontos: o lugar, o programa, a circulação, estrutura, a materialidade, a espacialidade e por ultimo o volume e seu lado formal.

O Lugar:

A cidade de Carapicuíba se encontra na região metropolitana de São Paulo, tem uma população de 230.355 habitantes (IBGE, 2010), tem uma área de 34,97 km2.
A origem desta cidade foi uma aldeia de índios, e seu nome segundo o professor Carlos Drumond vem do peixe: cará cumprido. No descobrimento do Brasil por volta de 1580 era uma aldeia fundada pelo Pe. José de Anchieta.

C.02 – Planta de Situação.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

A casa está locada em um terreno bastante inclinado, e sua topografia tem uma diferença de cotas de nível de 6 metros, além que nos fundos existe uma pequena mata, junto a um vale.
Pensamos em primeiro lugar, que a mata termina sendo um ponto importante da valorização do espaço, além-claro que colabora com o fator climatológico da edificação, assim como a contemplação deste espaço natural. A condicionante topográfica faz que o programa possa ser diluído espacialmente na sua setorização.

O Programa:

Como tínhamos indicado anteriormente a setorização está vinculado ao aspecto da sua geografia natural (topografia). No nível térreo (chamaremos de nível 0.00) temos dois setores vinculado quase no meio por uma passarela de aço, que integra, ao mesmo tempo da privacidade na parte dos fundos onde se encontra as circulações verticais (escadas) que dão acesso para os outros níveis, nesta parte comparte bem o espaço do terraço (com base de concreto com pisos elevado em madeira) ser serve como espaço de convivência, além da valorização do ambiente natural que serve de contemplação.

C.03 – Corte longitudinal – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

Outro ponto importante está vinculado na parte da frente (ao lado da calçada e da rua) onde se dá importância a um pequeno espaço de vinculo espacial, poderíamos dizer como uma “gentileza urbana” com bancos de concreto que não só podem ser utilizado pelos moradores, mas também pelas pessoas que transitam nesse lugar.

C.04 – Vista do escritório e do pavimento térreo (nível 0.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Na parte ao nível – 3.00, encontra-se ambientes que são de uso de convívio social como a sala de estar, e espaços de serviço como é a cozinha e escadas de serviço que vai para o pavimento inferior (nível – 6.00), assim como os dois terraços em ambos extremos de deste nível.

No nível – 6.00 que é o mais baixo nível, temos o setor intimo com três dormitórios, dois deste podem se juntar com uma divisória pivotante que dá mais flexibilidade e estes ambientes. Temos um banheiro comum com uma bancada de lavatórios, tanto os ambientes destinados para chuveiro e a bacia (wc), penso que pode ser útil na medida que vários usuários podem utilizar o banheiro ao mesmo tempo.

C.05 – Vista do nível mais baixo (nível – 6.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Neste nível se encontra uma sala de TV com varanda coberta dando a uma piscina do tipo raia. No lado extremo temos a área de serviço.
Penso que a locação da sala de TV para a varanda coberta e a piscina dá prioridade ao espaço intimo da casa, priorizando desta forma aos proprietários.

Já no nível + 3.00 que é o nível mais alto está o espaço destinado ao escritório, que esta dividido pelo lavabo criando assim dois ambientes, que em uma delas tem uma pequena varanda coberta. Este é espaço é importante no sentido de dar privacidade ao trabalho, que, ao mesmo tempo dá um formalismo na casa, abordaremos este assunto na parte correspondente ao aspeto formal, à volumetria.

A Circulação:

Como sabemos esta parte da circulação é importante neste projeto, no sentido que como se trata de quatro níveis a vencer, criando desta forma uma verticalidade na mesma circulação. As demais partes da casa se vê uma circulação horizontal de cada nível, dando um ar de flexibilidade como temos indicado no programa.

C.06 – Vista do nível mais baixo (nível – 6.00).
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Estrutura:

Sua estrutura é bastante “intrigante” por encontrar uma palavra que possamos dizer (ver imagem C.04). Com duas pilastras que são notadas em todos os níveis. Mas em especial no nível 0.00 que é o térreo, que de alguma forma cria leveza, apesar de que a casa se caracteriza sua estrutura de concreto armado. Na laje que suporta ao nível – 3.00 tem uns tirantes em aço em que se da um equilíbrio estrutural aos terraços, estes criam balanços que dão cobertura não só ao nível – 3.00 mais também ao nível – 6.00. Vale notar que algumas destas escadas são de estrutura em aço. Não poderíamos de deixar de falar dos muros de arrimo, que são elementos fundamentais no processo do partido da casa, já que dois níveis deste estão debaixo do nível térreo.

C.07 – Vista parcial da estrutura diferentes níveis.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Consideramos importante lembrar que no nível mais baixo (nível – 6.00) existem três paneis de concreto armado que sustentam o nível superior (nível – 3.00).

Materialidade:

Podemos verificar que a materialidade da casa de Carapicuíba de Puntoni e Bucchi em questão dos materiais empregados é sem preconceitos com uso do concreto, a pedra, o vidro e o aço, criam sim umas possibilidades de variabilidade, que a nossa maneira de ver agregam valor a seus materiais, que como intuíamos cria sim aquele ar de leveza espacial, apresar do uso do concreto que de por si é bastante denso. Nos chama a atenção da materialidade na parte externa no nível (+ 3.00) mais alto que é o espaço destinado ao escritório onde utilizam umas chapas em aço corrugado, que a nossa maneira de ver reforça a ideia de leveza.

C.08 – Vista parcial da materialidade.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Espacialidade:

Os nexos e desconexos, pensamos que estão relacionados ao mesmo programa, é na maneira que foi projetada, a setorização da mesma está vinculada a própria circulação vertical, fazendo estes planos vinculados, mas não ao comum das casas ou residências onde o programa setorizado se da em base ao intimo, ao social, e a de serviços, mais bem vincula estes espaços na maneira de vincular o uso familiar ou intimo, como tínhamos explicado no programa em que vincula espacialmente a área intima com a área social (no mesmo nível – 6.00), supomos que o uso dos mesmos é de uso mais familiar que social, a convivência do núcleo familiar se torna mais fundamental parafraseando ao livro de Neufert – na arte de projetar. Poderíamos definir como uma espacialidade contemporânea.

C.09 – Planta do térreo nível 0.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

C.10 – Planta do nível – 3.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

C.11 – Planta do nível – 6.00 – projeto executivo.
Fonte: Site escritório de arquitetura Bucci e Puntoni.

Volume:

Seus volumes são prismáticos, com ângulos retos, até certo ponto minimalista, mas claramente definidos pelos seus níveis, a valorização do vazio esta presente em todo momento, tanto no sentido horizontal como vertical. Este faz que o vazio espacial crie leveza, como boa circulação de ar, que são indispensáveis para que seja um bom projeto. Sem duvida o volumem do escritório (ver imagem C.04) está presente na visualização da casa, como procurando um equilíbrio espacial, onde pensamos que se torna interessante, além-claro dos usos de seus materiais.

C.12 – Vista dos níveis – 6.00 e – 3.00.
Fonte: ArchDaily/Brasil – Fotos Nelson Kon.

Por ultimo pensamos que a Casa de Carapicuíba de Bucci e Puntoni pode sim é inspirará para outros projetos como estudo de caso. Agradecemos de forma espacial a ArchDaily Brasil nas belas fotografias de Nelson Kon, que sem duvida colaborou muito para o escrito deste ensaio relacionado com a arquitetura.

Em resume: vitalidade urbana (gentileza urbana) e respeito ao meio ambiente como a valorização da contemplação, flexibilidade espacial, valorização dos vazios espaciais, equilíbrio e pesquisa na estrutura, uso correto dos materiais com variabilidade e formas simples prismáticas, reforçam todo o conceito ainda mais da arquitetura contemporânea.

Goiânia, 02 de novembro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



lunes, 23 de octubre de 2017

Museu de Pachacamac – do passado ao presente, espaço de cultura.

Museu de Pachacamac – do passado ao presente, espaço de cultura.
Jorge Villavisencio.

Quando nos referimos aos espaços de cultura, neste caso o Museu de Pachacamac, localizado na parte sul (Distrito de Lurín) da cidade de Lima Metropolitana, pensamos que tem conotações importantes, não só como o edifício museu, mais sim como espaço da “memoria urbana” da cidade. Que com o passar do tempo torna-se parte importante da cultura desse povo.

M.01 – Vista externa do edifício museu.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Mas para o resgate do espaço da “memoria histórica” é necessário politicas governamentais que cumpram com seu legado que a própria historia nos dá. Para Milanesi o edifício cultural “Por meio de uma decisão política, um administrador público decide investir recursos numa grande obra cultural, arquitetura avançada, serviços modernos, contemporaneidade.” (Milanesi, 2003:60)

Sem duvida ter bondade politica, além que Pachacamac está dentro do patrimônio cultura de uns pais (Perú) que tenta preservar sua memoria, seu passado (ver imagem M.03), penso que ainda incipiente. Mas com a construção do Edifício-Museu de Pachacamac cria avance em conquistar e preservar sua historia.

M.02 – Maquete do Santuário Arqueológico de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

O projeto arquitetônico do Museu de Pachacamac, nome em espanhol “Museo de Sitio de Pachacamac” foi elaborado pelos arquitetos Patrícia Llosa e Rodolfo Cortegana, com colaboração de Angélica Piazza, Daniela Chang , Llona/Zamora entre os anos de 2015 e 2016.

O nome Pachacamac (significado: “alma da terra que anima o mundo”), que na realidade são vários edifícios que forem construídos desde as épocas pré-inca e inca poderíamos dizer entre os séculos VIII e XIV. O Santuário Arqueológico de Pachacamac (ver imagem M.02) foi um grande centro cerimonial de sucessivas sociedades pré-hispânicas. Estiveram conformadas por templos, praças, palácios e outros. Seus templos principais forem “Templo Velho”, “Templo Pintado” e “Templo do Sol”, estes construídos em diferentes épocas.

M.03 – Vista parcial do Santuário Arqueológico de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Para o arquiteto e historiador peruano José Canziani Amico diz: “O primeiro em registar estes indícios em Pachacamac foi o arqueólogo e pesquisador alemão Max Uhle (1856-1944), quem finais do século XIX achou em níveis inferiores uma sequencia estratigráfica que culminava com a ocupação Inca onde encontravam materiais culturais que os antecediam, onde incluíam estruturas com típicos pequenos adobes Lima.” (Canziani, 2009:290).

“As evidencias arqueológicas reunidas desde os trabalhos pioneiros de Max Uhle indicam que o antigo Centro Cerimonial da época Lima adquire um Horizonte Médio uma extraordinária relevância em toda a costa central, ode sua influencias culturais se perceve dentro da costa norte. Por tanto, é de supor que desde seu passado estabelecer um notável prestigio onde Pachacamac acrescentaria em épocas tardias, convertendo em uns dos Santuarios e oráculos mais reconhecidos nos Andes centrais” (Rostworowski 1992:1999; in Canziani, 2009:404).

M.04 – Vista externa do Museu de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Então, poderíamos dizer que a importância do “lugar” não é de agora mais como explica Canziani, tem uma importância relevante no contexto pré-hispânico. Talvez este novo Museu de Pachacamac, assevera a importância, é-claro da continuidade espacial ao lugar, é faz parte da sua historia. (ver imagem M. 06).

Porque, pensamos que os edifícios de índole cultural tem essa virtude de despertar essa curiosidade já que a arquitetura é arte e cultura. “Dentro deste campo das praxes alternativas, há um campo muito amplo de todas as experiências nas quais, além do espaço do museu, a arte e a arquitetura andam juntas a fim de realizar intervenções no espaço público...” (Montaner, 2016:100).

M.05 – Vista da rampa exterior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Com o passar do tempo este tipo de edifícios torna-se talvez menos importantes, mais seus reflexo no contexto urbano, histórico e da própria “memoria” traz em si um apocalítico de essência espacial, claro dentro do pensamento figurativo do incompreensível e do misterioso, como é o todo do Santuário Arqueológico de Pachacamac.

Dentre do novo Museu de Pachacamac existe uma nova atmosfera cultural, de querer resgatar algo que possa ser não só como historia das épocas passadas, além-claro da preservação do lugar. “Mas, nos nossos dias, o problema muda de aspecto devido aos novos recursos proporcionados aos arquitetos, a fim de enfrentarem, com êxito, os rigores da temperatura atmosférica.” (Warchavchik, 2006:127). Fazemos esta analogia como pensamento figurativo do incompreensível e do misterioso como se indicou anteriormente.

M.06 – A forma do projeto – arquitetos Patrícia Llosa e Rodolfo Cortegana.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Nossa leitura se vê o edifício do novo museu contemporâneo quatros assuntos, o primeiro esta relacionado com a forma “austera” (ver imagem M.10) em que foi projetada obra, seu lado formal quase enterrado em algumas partes (pela própria topografia existente), dando desta forma continuidade espacial, além de sua materialidade em concreto aparente (ver imagem M.05), fazendo mimese com a própria terra, só com alguns detalhes coloridos em vermelho, outorgando talvez uma visibilidade de ar moderno, mas seu lado formal ate difícil de entender o porquê dessa forma.

M.07 – Flexibilidade no espaço interior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

“Pelo tanto, quando um arquiteto decide empregar formas muito complexas que são difíceis de reconhecer (ver imagem M.06), não é provável que se faça com o proposito de que o visitante perca-se em um labirinto. Mas organiza-se seu edifício de tal maneira que sua estrutura básica é potencialmente visível...” (Arnheim, 2001:97).

M.08 – O espaço interior.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

A segunda leitura trata-se do lado “cósmico”, pensamos nos escritos de Christian Norberg-Schulz, nos seus arquétipos das paisagens naturais (ver imagem M.04), onde lugares como os de Pachacamac são restringidos ao nosso mundo concreto, onde estas são reduzidas a poucos e simples fenômenos. Onde o céu sem nuvens é o grande espectador, com muita luz sem sombras, como manifesto da uma “ordem eterna e absoluta”.

O terceiro ponto está vinculado a “flexibilidade” (ver imagem M.07 e M.08), neste mundo contemporâneo que é tão cambiante e até em alguns casos até descartável, se incita para que os espaços especialmente os internos sejam mutáveis, mais se tratando de um museu, onde as exposições tem áreas permanentes, mas também tem áreas (espaços) itinerantes, dependendo o que possa ser exposto naquele momento.

M.09 – Vista da rampa interior - os brise-solei.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

Por ultimo, na nossa ultima e quarta leitura (ou ponto da leitura espacial) está relacionada com a “durabilidade”, os materiais empregados (concreto aparente) resultam em uma boa resistência através do tempo, à materialidade da esse ar de passividade espacial (ver imagem M. 10)com seu tom cinza, preservando sua energia. Lembrando que este tipo de edifícios deve ser de baixa manutenção.

Não podemos deixar de recalcar neste breve texto, da importância do lugar como contexto da memoria histórica, como é o todo do Santuário Arqueológico de Pachacamac, onde este novo edifício do museu ganha talvez uma nova vida, é desperta curiosidade e tensão, definem melhor a questão pública e de cultura que é tão necessário para o desenvolvimento.

M.10 – A materialidade do edifício – Museu de Pachacamac.
Fonte: Jorge Villavisencio (2017)

“De imediato, chama atenção para uma serie de questões sobre quem pertence a cidade, que define seus domínios públicos e como diferentes grupos definem a noção do público.” (Ghirardo, 2009:117).


Goiânia, 23 de outubro de 2017.

Arq. MSc. Jorge Villavisencio.



Bibliografia:

MILANESI, Luís; A casa da invenção, Ateliê Editorial, Cotia, São Paulo, 2003.

CANZIANI, José; Ciudad y territorio en los andes: contribuciones a la historia del urbanismo prehispánico, Fondo Editorial Pontificia Universidad Católica del Perú, Lima, 2009.

MONTANER, Josep María; A condição contemporânea da arquitetura, Editora Gustavo Gili, Barcelona, 2016.

WARCHAVCHIK, Gregori; Arquitetura do século XX e outros escritos, Editora Cosac Naify, São Paulo, 2006.

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